Espirito Santo: Guarapari, Vitória e Vila Velha
EXCURSÃO DO SESC AO ESPÍRITO SANTO: GUARAPARI, VITÓRIA E VILA VELHA
16 a 24 de fevereiro de 2013
Inicio este relato falando sobre o apreço de muitos pelas viagens do SESC. Suas excursões, além de bem planejadas são sempre acompanhadas por ótimos guias que se encarregam de as tornar não só agradáveis, mas também muito instrutivas. Esta excelência é do conhecimento de todos os que estão familiarizados com o SESC. Por esta razão, ao ser anunciada uma viagem, as vagas são rapidamente esgotadas.
Nesta oportunidade, fevereiro de 2013, comprei a excursão juntamente com minha amiga e vizinha, Cleci Marchezan e com ela, fiz muitas fotos durante a mesma.

Neste ano de 2021 decidindo publicar o relato na internet, estou revendo a excursão, aproveitando para fazer mais pesquisas, pois afinal, quando faço uma excursão para um lugar desconhecido, aproveito a oportunidade para alargar os horizontes do conhecimento tanto histórico quanto geográfico e cultural, sobre o lugar, que, agora, já se apresenta mais familiar.
A presente viagem do SESC foi planejada com o objetivo de que os excursionistas pudessem visitar e conhecer no sudeste do Brasil, no estado do Espirito Santo, a Rodovia do Sol, com as cidades de Guarapari, Anchieta, Vila Velha e Vitória, a capital do estado. São regiões brasileiras que, posso dizer, raramente são visitadas por nós aqui do sul.
AS VIAGENS!
Em mim, o anúncio de uma viagem desperta diversos sentimentos: às vezes me acena com a possibilidade de realizar um desejo há muito acalentado de visitar um determinado lugar. Às vezes, acorda em mim algo inconsciente como a possibilidade de adquirir mais conhecimentos práticos sobre lugares desconhecidos e longínquos. Sempre sugere que poderei vivenciar momentos agradáveis e inusitados, nesta forma que, para mim, é, acima de tudo, uma forma de “Celebrar a Vida”.
Quanto a visitar lugares desconhecidos, estes têm a possibilidade de nos encantar, não só pela sua história e pela cultura lá construída, agora mais conhecida, mas também pelas belíssimas paisagens que observamos com muita atenção e interesse nos seus acidentes geográficos. Costumo, durante a viagem, caminhar na plena atenção do “Aqui e Agora”, na observação atenta da natureza tão rica, bela e prodigiosa! E quanto há de maravilhoso nessa observação! Às vezes, é apenas uma flor ou árvore, antes nunca vistas, que chamam a atenção!
A observação atenta da natureza me traz uma agradável consequência: há um novo olhar sobre nossas paisagens familiares, quando se volta aos espaços conhecidos. Aprendemos a apreciar a beleza da paisagem que nos cerca, com a qual, muitas vezes, nós estávamos por demais acostumados! Foi exatamente isto que aconteceu comigo depois de algumas viagens que fiz e isto eu desejo deixar aqui registrado.
Viajar é muito bom, pois uma viagem pode nos abrir novas perspectivas, gerar novos conhecimentos, oportunizar novas amizades, além de nos proporcionar muito prazer ao nos darmos conta que a Vida precisa ser valorizada também desta forma. Desejo aos que fizerem comigo esta viagem, pois é isto que acontece com os que decidirem ler este relato, que tenham a mesma felicidade que tive ao fazer esta linda excursão do SESC.
O ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
Hoje, ao reler o relato da viagem ao sudeste brasileiro e completá-lo com mais pesquisas, no intuito de realizar sua socialização na internet, percorro mais uma vez este pedaço do solo do Brasil, sentindo a emoção de “um voltar no tempo”. E não é para menos! Lá, no sudeste do Brasil, está não só a história dos indígenas que habitavam há milhares de anos este imenso território! Foi lá também que se deu o início da história da colonização portuguesa católica, acontecida nos primórdios no século XVI, pois foi no dia 23 de maio de 1535 que o donatário Vasco Fernando Coutinho chegou na Capitania, desembarcando na atual Prainha de Vila Velha, onde fundou o primeiro povoamento. Como era oitava de Pentecostes, o donatário católico, batizou a terra de Espírito Santo, em homenagem à terceira pessoa da Santíssima Trindade.
Hoje o estado do Espírito Santo, num cenário geográfico impar, é uma terra de múltiplas e pujantes culturas de imigrantes, vindos ao nosso país, na grande emigração europeia e aqui floresceram.
No século XIX, imigrantes Trentinos pertencentes até o fim da Primeira Grande Guerra ao Império Austro Húngaro, como meus bisavôs, além de virem para o sul do Brasil e colonizarem Rodeio e Nova Trento em Santa Catarina, também uma parte deles foi deslocada para o estado do Espírito Santo. O sociólogo italiano Renzo Grosselli, dedicou muitos anos a pesquisar sobre os italianos que foram encaminhados para as florestas brasileiras. Estas pesquisas, resultaram em diversos livros, com estudos espetaculares, entre os quais uma das grandes obras de sua autoria, que retrata bem as condições difíceis que os imigrantes tiveram que superar e que o título do livro denuncia: “Vencer ou Morrer”.
A CIDADE DE GUARAPARI NO ESPÍRITO SANTO
Às vezes há cidades que desejávamos há muito tempo conhecer. E, para mim, entre as cidades com esta característica, estava a cidade era Guarapari. Uma amiga de Florianópolis ia para lá regularmente, para nas suas praias, reforçar sua saúde. Na verdade, o que tornava esta cidade um destino turístico privilegiado, com fama não somente nacional, mas também internacional, é que ela tem uma característica interessante: nas areias de suas praias, há a presença de uma radioatividade curativa, sui generis.
Em meados dos anos 1960/1970 Guarapari tornou-se nacionalmente famosa em decorrência das propriedades medicinais de suas areias monazíticas lá existentes. Por este motivo houve uma onda turística crescente em torno da cidade. Havia, pois, forte razão para esta procura por Guarapari!
Assim fala a ciência sobre a diferença do tipo de radioatividade encontrada em Guarapari:
“O professor Marcos Tadeu destaca que a radioatividade de Guarapari tem como base o elemento tório e não o urânio. Ele lembra também que essa composição da areia foi formada pela própria natureza. Não temos, então, um acidente provocado pela ação humana”, observa. As areias pretas são classificadas como monazíticas em alusão à raridade do material. A monazita é um mineral raro que produz gases com o efeito de aliviar dores. Esses gases são encontrados entre os grãos da areia”.
Sobre as negras areias monazíticas já foram feitas muitas pesquisas científicas, cujos estudos apontam para a menor incidência de câncer de mama em mulheres neste município, em relação a outros lugares. O termo monazita provém do grego monazein – “estar solitário”, o que indica a sua raridade.
A descoberta dos ótimos efeitos curativos das areias monazíticas que tornou Guarapari um local muito procurado tanto nacional como internacionalmente, apresenta também o outro lado da medalha: um lado muito obscuro, triste e trágico, envolvendo roubo, clandestinidade, exploração de trabalhadores, domínio entre países, enriquecimento ilícito de estrangeiros, luta política, etc.
Trago aqui uns dados sobre a descoberta e comercialização destas areias, a partir do século XIX, que ilustram outros aspectos a respeito das areias monazíticas:
“Uma trama envolvendo negociações secretas, acordos internacionais, disputas políticas, corrupção e exploração de trabalhadores liga o balneário de Guarapari, no Espírito Santo, ao programa de produção de armas nucleares dos Estados Unidos durante e depois da Segunda Guerra Mundial. O pivô de tamanha disputa é justamente o patrimônio que mais tarde deu fama à cidade por suas propriedades medicinais: a areia monazítica, rica em elementos radioativos. Essa areia abastecia as pesquisas de projetos secretos criados pelo governo norte-americano para acelerar a produção de bombas atômicas, sobretudo no período da Guerra Fria.”
“As areias monazíticas de Guarapari foram descobertas em 1898 e, em 1906, a ’Société Minière et Industrielle franco-brasiliense’ instalou em Guarapari a usina ‘MIBRA – Monazita Ilmenita do Brasil’ para fazer o beneficiamento destas areias, exportando o produto a ser tratado na França. O último administrador da MIBRA foi Boris Davidovich- cidadão Tcheco, naturalizado americano, que suspeitava-se ser a testa de ferro de John Gordon. Segundo Silva Melo em 1937, a MIBRA funcionava dia e noite, tendo três turnos de operários, que recebiam salários miseráveis, desconhecendo a utilização e para onde eram levadas as areias de Guarapari. A firma pagava 4% do valor da areia bruta de taxas ao governo, sendo ainda deduzidos os preços do transporte e o direito de exportação. A MIBRA explorou as areias de Guarapari até meados de 1960, quando o governo elevou o valor da taxa de extração, os proprietários simplesmente abandonaram tudo, queimaram a documentação, já haviam ganho tudo que queriam.”
Boris Davidovich, ao chegar na França, morreu de um ataque cardíaco.
Um só homem foi acusado por grande parte da imprensa brasileira e deputados de ter faturado milhões de dólares em Guarapari com a extração de areia monazítica praticamente de graça, durante quase 30 anos, exportando para diversos países do mundo. Seu nome é Boris Davidovitch.
“Natural da cidade de Odessa (então pertencente ao Império Russo, hoje Ucrânia), Boris era também naturalizado norte-americano, francês e brasileiro. Ele chegou ao Brasil em 1940 como procurador da “Société Minière”, empresa francesa que já mantinha a exploração de monazita no Espírito Santo e, em apenas um ano, já era dono de todo o patrimônio radioativo da cidade de Guarapari. A empresa, que mantinha uma exploração modesta desde a década de 20, foi transformada, em 1941, na Mibra – Monazita Ilmenita do Brasil, o que lhe rendeu um processo criminal na França por peculato, arquivado anos depois por falta de provas”.

“Após o escândalo invadir o noticiário, estimou-se que pelo menos 200 mil toneladas de areia e tório haviam sido retiradas (legal e ilegalmente) de praias brasileiras em pouco mais de 50 anos. Guarapari era o principal polo de extração, de forma legal e também clandestina.”
O funcionário do governo destinado ao trabalho de fiscalizar a empresa que extraía a areia, vivia numa casa da própria empresa Mibra.
Instalou-se uma CPI:
“A denúncia mais grave, no entanto, foi a de trabalho escravo. Segundo relatou a jornalista Maria da Graça, do periódico carioca Imprensa Popular, “os 27 trabalhadores tinham ausência total de cor nas faces e lábios, magreza doentia, olhar mortiço, mãos e pés de coloração anormal devido ao constante contato com a umidade da areia. Todos descalços e seminus, vestidos apenas de calções esfarrapados”. Ela foi uma das repórteres de diversos jornais que acompanharam a visita da CPI às instalações da Mibra em Guarapari.”
Os jornais denunciavam a falta de fiscalização sobre a extração das areias monazíticas e o domínio e enriquecimento estrangeiro sobre as areias monazíticas.
Ao jornal Imprensa Popular, em 1956, o Deputado capixaba José Cupertino de Almeida denunciou a baixa taxa de impostos cobrados pela exploração da areia monazítica de Guarapari. “É doloroso registrar que o município de Guarapari possui uma das maiores reservas de minerais atômicos do mundo e, no entanto, é um dos municípios mais pobres do país.”
Certamente é importante conhecer este aspecto da história das areias monazíticas de Guarapari! Tentei encontrar alguma notícia sobre a comercialização atual das areias monazíticas e só encontrei notícias sobre estudos das universidades confirmando o seu poder curativo. Continuo a contextualização histórica de nossa excursão.
Falando em colonização no século XVI, falamos dos jesuítas
Sabemos que os colonizadores das monarquias absolutistas e católicas de então, tanto portugueses como espanhóis e também de outras nacionalidades, no afã de se apoderar dos territórios e de sua riqueza e da mão de obra escrava destes índios, aqui no Brasil e na América Latina, foram, às mais das vezes, de uma violência e crueldade bárbaras. É só ver a história! No entanto, alguém escreveu, chamando atenção sobre as atividades dos missionários jesuítas, que muito se diferenciavam da forma de dominar dos colonizadores:
“A tranquilidade de que tanto necessitava a Colônia em formação e que os portugueses não haviam conseguido, espalhando o terror entre os indígenas, esta tranquilidade, digo, os jesuítas souberam conquistar pela persuasão. Não temiam reprovar aos portugueses sua tremenda tirania e levavam aos índios, ao mesmo tempo, palavras de amor, paz e liberdade”.
Os jesuítas se dedicaram aos mais diferentes aspectos da vida colonial, como à educação, à saúde, à cristianização etc.

Entre estes missionários que vieram da Europa Católica, juntamente com colonizadores, há o protetor nacional dos farmacêuticos, Padre José de Anchieta, que, além de sacerdote foi um admirado educador, gramático, boticário e fundador de colégios. Desde o início da implantação da comunidade católica, as ações beneficentes que aqui realizou foram muitas e memoráveis. Entre estas, está a fundação de Guarapari, que, num cenário de muita beleza paisagística, passou a ter, sucessivamente, diferentes nomes.
“Em 1585 o padre José de Anchieta levantou uma capela, dedicada a Santana e construiu residências destinadas aos catequistas da Companhia de Jesus…. O primeiro nome foi “Vila dos Jesuítas”, depois, “Aldeia de Nossa Senhora”, “Aldeia de Santa Maria de Guaraparim”, “Guaraparim”, “Goaraparim” e finalmente, “Guarapari”, vocábulo de origem indígena, derivado (segundo Montoya e Saint Hilaire) de guará-pássaro de arribação, que aparece à beira-mar de variadas cores – e pari – rede, significando lugar onde se armam redes para apanhar guarás”. A etimologia: “Guara” “Parim” (garça manca, em linguagem indígena). Na forma como o nome é escrito hoje, Guarapari significa Guará (pássaro) e Pari (armadilha), desta forma armadilha de pássaro.
Ao olhar parte do mapa do litoral do estado do Espírito Santo, vemos que ele é simplesmente fantástico no seu rendilhado de acidentes geográficos.

No mapa acima, vemos Vitória, a capital do Espírito Santo, que é uma das três ilhas-capitais. As outras duas são: Florianópolis, na ilha de Santa Catarina e a ilha São Luís, no Maranhão.
Algumas palavras sobre as ilhas capitais de Florianópolis e São Luiz do Maranhão.
O município de Florianópolis é composto pela ilha principal, a ilha de Santa Catarina, a parte continental e algumas pequenas ilhas circundantes. Habitada desde muito tempo pelos indígenas, foi por volta de 1673 que o bandeirante Francisco Dias Velho, junto com sua família e agregados, deu início ao povoamento colonizador da ilha com a fundação de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis). A ilha de Santa Catarina era conhecida como Meiembipe, (“montanha ao longo do mar”) pelos carijós. Hoje é chamada ilha da Magia e ilha dos “Ocasos Raros”, nome que lhe é atribuído pela beleza estonteante de seus pores de sol.
São Luís, fundada no dia 8 de setembro de 1612, é a capital do estado do Maranhão. Localiza-se na ilha Upaon-Açu (denominação dada pelos índios tupinambás significando “Ilha Grande”), no Atlântico Sul. É famosa por ser cidade natal de um grande número de escritores importantes, como Aluísio Azevedo, Gonçalves Dias e Graça Aranha. Por conta disso, ficou conhecida como Atenas Brasileira (ou Atenas Maranhense). É a única cidade do país que foi fundada pelos franceses.
A RODOVIA DO SOL
Importa lembrar também que o Espírito Santo é atravessado por rodovias importantes e entre elas está a Rodovia do Sol!

“A ES-060, mais conhecida como Rodovia do Sol, é uma rodovia radial que liga a capital do Espírito Santo, Vitória, ao sul do estado, passando pelo litoral sul capixaba….

A Rodovia do Sol inicia-se na Praça do Pedágio da Terceira Ponte, em Vitória, atravessando em seguida os municípios de Vila Velha, Guarapari, Anchieta, Piúma, Itapemirim, Marataízes até encontrar o município de Presidente Kennedy”.
“A concessão viabilizou a duplicação da rodovia, a construção do Contorno de Guarapari, a implantação de um moderno sistema de monitoramento e controle de tráfego, bem como a realização de projetos de educação para o trânsito e meio ambiente. Investimentos que transformaram aquela que já foi considerada a “Rodovia da Morte” em uma estrada de primeiro mundo e referência nacional em qualidade e segura”.

Com estas poucas notas introdutórias vamos para o relato desta viagem bastante curta, mas que abriu horizontes sobre este pedaço do Brasil, pouco conhecido por mim!
O RELATO DA VIAGEM
16 a 24 de fevereiro de 2013
No dia 16 de fevereiro, num sábado, estávamos, ás 7h da manhã, em frente ao SESC, na Prainha, em Florianópolis, à espera de iniciar nossa viagem, com o plano de chegar no fim do dia, na cidade de Taubaté, no estado de São Paulo.
Começamos nossa viagem na alegria do encontro não só com as (os) companheiras (os) de viagem, mas também com nossa guia Tatiana. Assim percorremos a BR 101 até Curitiba e a BR 116 de Curitiba até Taubaté. É de praxe, que as guias do SESC pela sua atenção e cuidado, facilitem as viagens tornando-as muito agradáveis. E assim nossa viagem transcorreu tranquila, sendo que o ônibus fazia as pardas costumeiras, a cada duas horas. Estando quase na divisa com São Paulo, chamou minha atenção uma região com muitos reflorestamentos de eucaliptos.
Naquele sábado, após percorrer 832 km chegamos muito bem a Taubaté, hospedando-nos no hotel Íbis.

No Brasil há muitíssimos acidentes geográficos e cidades com nomes de origem indígena, tendo cada nome seu significado, muitas vezes, já caído no esquecimento. Taubaté, do Tupi guarani “taba” (aldeia) “Ibaté” (alta) significa aldeia (taba) elevada.
A Cidade de Taubaté
Após milhares de anos da presença dos indígenas, chegaram a Taubaté, os colonizadores paulistas! Jacques Félix (São Paulo, c. 1570 – Taubaté, entre 1651 e 1658) foi um bandeirante paulista que fundou a localidade de Taubaté em 1639, que viria a ser elevada à categoria de vila pelo capitão-mor Dionísio da Costa no dia 5 de dezembro de 1645. Taubaté está situada a 570 metros de altura do nível do mar.
Gostaria agora de falar um pouco sobre a cidade de Taubaté, pois na pesquisa, me encantei com esta cidade paulista, cheia de história e de eventos culturais. No mapa de São Paulo, vemos a localização de Taubaté quase na fronteira com Minas Gerais e, ao lado, a foto da cidade atual, a 130 km da capital paulista e com mais de 278 mil habitantes. Hoje, Taubaté é o segundo maior polo industrial e comercial de sua mesorregião.

O município também abriga Comando de Aviação do Exército e muitas instituições de ensino. Aqui abaixo deixo alguns dados sobre a evolução histórica e econômica do Brasil, quando a cidade de Taubaté desempenhou papel importante.
Em primeiro lugar, no ciclo do ouro, Taubaté foi núcleo irradiador de Bandeirismo, que foi um movimento expansionista nos séculos XVII e XVIII, desenvolvido por São Paulo, realizado pelos Bandeirantes para ampliar suas áreas de dominação, além das terras paulistas, descobrindo ouro e fundando diversas cidades em Minas Gerais. Em segundo lugar, vem um problema ligado ao café, quando Taubaté exerceu também um papel importante na resolução do problema advindo das consequências da superprodução do café.
No Vale do Paraíba, no fim do século XIX e início do século XX, houve a crise da superprodução do café, o seu preço no mercado internacional caía sensivelmente. Já a partir da crise de 1893, que atingiu particularmente os Estados Unidos, principal comprador do café brasileiro, o preço do café caiu a um terço do valor daquele ano: de 4,09 libras a saca para 1,48 libras em 1899. Este fato mobilizou os cafeicultores, que se reuniram para a criação de uma estratégia que mantivesse valorizado o preço do produto em momentos de crise. Essa estratégia firmou-se no Convênio de Taubaté, que foi um acordo firmado entre os presidentes dos estados de São Paulo (Jorge Tibiriçá), Minas Gerais (Francisco Sales) e Rio de Janeiro (Nilo Peçanha) para proteger a produção brasileira de café.

Há ainda outro motivo que enaltece Taubaté, este ligado a Monteiro Lobato e à literatura infantil. A terra natal do escritor Monteiro Lobato, recebeu o título de “Capital Nacional da Literatura Infantil” pelo Projeto de Lei nº 164 de 15 de dezembro de 2010, do Congresso Federal e sancionado pela Presidência da República. O título foi concedido a Taubaté pelo Congresso Nacional, devido ao fato do escritor infanto-juvenil Monteiro Lobato ter nascido aqui. Com efeito, foi na chácara do Visconde de Tremembé, de seu avô materno, onde encontrou inspiração para criar personagens ainda hoje vivos na memória do povo brasileiro.
“No entanto, não é apenas a literatura infanto-juvenil a marca registrada de Taubaté. Há ainda realidades em outros campos a registrar aqui. As artes cênicas e a música sempre estiveram presentes no município. Foi lá que o comediante Mazzaropi construiu a PAM (Produções Amâncio Mazzaropi) e filmou muitos dos seus sucessos como “Jeca Tatu”, “O corintiano”, “O puritano da rua Augusta”, entre outros. O estúdio é hoje um museu em cujo acervo há fotos, filmes, roupas e objetos pessoais do comediante. No campo musical, destaque para o maestro e compositor Segesfredo “Fêgo” Camargo. Virtuoso violinista, o músico foi elogiado pelo maestro Villa-Lobos, quando de passagem por Taubaté e recebeu convites para tocar em programas radiofônicos como a “Hora da Saudade”, da Rádio Difusora Paulista. Seu talento musical foi herdado por sua filha, Hebe Camargo, que começou como cantora de rádio e mais tarde se tornou apresentadora de TV. Saindo do campo das artes, outra atração que merece a atenção do visitante é o Museu de História Natural, que exibe fósseis e réplicas de animais pré-históricos e contemporâneos da região do Vale do Paraíba”.

Enaltecem Taubaté
O pavão azul, a cerâmica e as comidas italianas, o artesanato e a gastronomia que enaltecem Taubaté.
O pavão azul é a ave símbolo do folclore local. A peça, criada há 150 anos pela taubateana Dona Cândida, foi escolhida num concurso realizado em 1979, como símbolo do artesanato do Estado de São Paulo. Hoje, o pavão azul é confeccionado na Casa do Figureiro, onde 36 artesãos transformam, diariamente, argila em arte. Esta Casa também tem uma história:
“A Casa do Figureiro teve seu início no século XVII, quando os frades da ordem de São Francisco de Assis trouxeram figuras de arte sacra da Itália, para montar um presépio no Convento Santa Clara. Para completar o presépio, artesãs da cidade começaram a produzir animais, passando a ser chamados de figureiras. A divulgação nacional e internacional dos trabalhos das figureiras de Taubaté, se deve ao folclorista e criador do Museu do Folclore de São Paulo, Rossini Tavares de Lima. Os figureiros são conhecidos em países do mundo inteiro, tendo como trabalhos mais famosos “a chuva de pássaros” e o “pavão”, símbolos do artesanato paulista. Hoje, os figureiros de Taubaté são representados não só por mulheres, como também por homens que exercem a função de esculpir. Eles trabalham com uso de argila e barro criando obras que retratam o cotidiano da vida no interior e temas religiosos”.
Os Imigrantes Europeus
“Quiririm é marcado pela presença de importantes famílias italianas, que contribuíram para a melhoria da cidade de Taubaté. Os italianos vieram para trabalhar na lavoura de café e desenvolveram grande técnica com a lavoura de arroz, o que fez com que a Colônia produzisse um dos melhores grãos de arroz do Brasil, onde até os dias de hoje é cultivado em grande proporção nas várzeas de todo o Vale do Paraíba. Destacaram-se também com a olaria, alguns colonos abandonaram a agricultura e se tornaram oleiros, onde eles próprios montaram a olaria, e que deu início a indústria cerâmica. A história de Quiririm não pode ser contada sem dar o grande destaque ao Dr. Francisco de Paula Toledo, que cedeu parte de suas terras para acolher aos imigrantes. Ele, em um convênio com o Ministério da Agricultura fundou um núcleo colonial da fazenda do Quiririm, onde doou metade de suas terras ao governo. A partir deste contrato, os primeiros italianos de Quiririm adquiriram suas terras e tornaram-se autônomos”!
A festa italiana se estabelece no distrito de Quiririm
“Histórico: A festa teve início em 1989 para comemorar os cem anos da imigração italiana no Brasil. Começou com uma quermesse, um almoço de domingo apenas. A partir da primeira edição a festa cresceu e se tornou um grande evento, que hoje é considerado o terceiro maior do Estado de São Paulo. Quiririm é considerada a maior colônia italiana do interior de São Paulo e se destaca pela gastronomia. Não podiam imaginar que, depois de 100 anos, estariam mudando o rumo da história. Quiririm, de Colônia Agrícola passou a Distrito Gastronômico. A festa é organizada pelos moradores do local, uma característica marcante, pois toda comunidade se reúne no preparo artesanal das comidas típicas italianas. Nas primeiras edições contava apenas com três barracas: de polenta, pizza e macarrão. O público não passava de duzentas pessoas. Atualmente são 28 barracas de comida, 24 de massas típicas e 4 de doces, e um público estimado de quase 400 mil pessoas. Em 2014, a festa teve uma edição especial, 25 anos, com várias atrações comemorativas dos 125 anos da imigração italiana ao Brasil. ”
“Entre final de abril e início de maio, as principais ruas do lugar dão espaço a diversas barracas de comidas típicas da Itália: lasanha, nhoque, pão com linguiça, pizza, fogazza, etc. A comilança é acompanhada de música ao vivo e danças folclóricas que esquentam a noite”.
“E para quem visitar o distrito de Taubaté fora da festividade, a alternativa para apreciar pratos italianos é o Mercatto Della Colônia Agrícola di Quiririm. Localizado nas margens da Rodovia Floriano Rodrigues, o local concentra diversas cantinas e lojas”.

Estes dados sobre Taubaté foram importantes, pois esta cidade como tantas outras trazem para nós, uma história rica, a partir dos habitantes que lá viveram, produziram cultura, que é sempre bom que seja celebrada! Estamos ainda em Taubaté!
Em 1891, vindos da Europa, 400 imigrantes italianos.
Dia 17 de fevereiro – Domingo
No programa da excursão do SESC consta, às 08h30, a primeira visita ao Sítio do Pica-Pau Amarelo e ao Museu Monteiro Lobato. Fomos visitar estes lugares a pé, pois ficam a 10 minutos da parte central da cidade de Taubaté. Na foto abaixo, estamos às portas do grande parque a céu aberto! Aqui, em Taubaté, se relembra um brasileiro a ser conhecido e valorizado, pois foi um grande escritor. Ele escreveu, sobre assuntos na defesa dos interesses da economia nacional e isto para as crianças em linguagem infantil.

No sitio do Pica-Pau Amarelo, no pátio da antiga fazenda pertencente ao avô de Monteiro Lobato, estão as esculturas em tamanho natural dos personagens mais conhecidos de sua obra: Dona Benta, Tia Nastácia, Visconde de Sabugosa, Pedrinho, Narizinho e a boneca Emília.
Mas lá há também, às vezes, os artistas vestidos a rigor. Como personagens de Monteiro Lobato, esses artistas divertem as crianças com brincadeiras e histórias. Vale ressaltar que, a trupe de Lobato também está presente nos demais parques espalhados pela cidade: Vale do Itaim, Horto e Parque de Exposições Monteiro Lobato. Neste mesmo sítio está o Museu Monteiro Lobato, uma instituição cultural pública, mantido pelo poder público estadual, criado em 1958 e tombado como patrimônio histórico estadual e nacional desde 1962. Aos finais de semana, aqui no Museu há Teatro para crianças e adultos.

Entramos no Museu que conta a estória de Monteiro Lobato, na história do Brasil. Gostei muito de conhecer o Museu que reúne objetos e fotos do escritor e muitas informações interessantes em textos e livros aqui expostos. O tempo de uma excursão é sempre curto para que se possa ler tudo aquilo que está exposto e que nos interessa.

Sobre Monteiro Lobato e sua literatura:
“No que diz respeito à técnica literária, o escritor é um dos mais completos autores da Literatura Infantil. Em 1921, inicia-se a Literatura Infantil no Brasil com a história: “Narizinho Arrebitado”. Em 1931, Narizinho Arrebitado muda para Reinações de Narizinho – dentro do universo do faz de conta, que Lobato criou. Além de chamar despertar o interesse da criança através do imaginário, Lobato conscientiza com a sua literatura denunciadora, que envolve fatos políticos-econômicos-sociais. A sua principal obra, “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”, tem traços de um Lobato indignado com a exploração do Petróleo, logo depois surge o livro “O Poço do Visconde”, que conta a história da descoberta do Petróleo nas terras do Sítio (mundo fictício), que eram terras de sua família. Não podendo se expor, criou as personagens fantásticas, as quais dizem tudo o que ele pensa sobre a descoberta, entre elas Emília, a qual representa a sua voz. Lobato também valorizou o folclore nacional, Pedrinho e Narizinho viraram exploradores do universo ficcional, no qual encontram todos os seres fantásticos, o Saci, a Cuca, a Mula-sem-cabeça, a Iara, o Lobisomem, entre outros, que levam os leitores a compreenderem um pouco mais da cultura brasileira. O tempero maior de tudo isso é introduzido com as dúvidas e maluquices de Emília, a boneca de pano, que, após tomar uma pílula que a fazia falar, virou uma grande tagarela”.
Ainda um pouco da obra e estória do grande escritor Monteiro Lobato:
“Monteiro Lobato foi um revolucionário progressista, fundador de inúmeras editoras, jamais deixando de lado os castelos de contos de fadas e o folclore nacional, (re) criando o mundo ao seu redor, a partir de coisas do seu cotidiano, desta forma escreveu mais de quatro mil e seiscentas páginas só de obras infantis. Essa simplicidade de concepção deve criar a simplicidade de linguagem, na qual a literatura deve ser uma fonte repleta de sensações, emoções, imaginações que tocam a criança a fazendo viajar e sonhar, cumprindo o verdadeiro papel da Literatura.
Suas obras completas, com tiragem global ultrapassa a casa do milhão de exemplares, compreendem 30 volumes; 13 de literatura geral e 17 livros para crianças. Ao primeiro grupo pertencem os livros de contos Urupês (1918), Cidades Mortas (1919), Negrinha (1920), A Onda Verde (1921), Mundo da Lua (1923), O Macaco que fez o Homem (1923), além de um romance e do livro de correspondência com Godofredo Rangel, A Barca de Gleyre (1943) ”.
Sobre o último livro “A Barca de Gleyre”, achei interessante acrescentar o fantástico texto que segue:
“A Barca de Gleyre é um livro que reúne as cartas que Monteiro Lobato enviou, no decorrer de quarenta anos (1903 a 1943), ao amigo e também escritor Godofredo Rangel, publicado pela Companhia Editora Nacional em 1944. Embora as cartas abordem assuntos variados, o tema central é a literatura e criação artística. Consciente do seu valor como fonte de memória histórica, Rangel convenceu Lobato a publicá-las. Mas Rangel não quis publicar suas próprias cartas, alegando que seu único mérito era provocar excelentes respostas do companheiro. A obra também constitui excelente fonte para se conhecer a trajetória de vida e pontos de vista de Lobato.
O nome do livro provém do quadro “As Ilusões Perdidas” do pintor Charles Gleyre, que mostra um barco atracando no cais com um velho na proa segurando uma lira. Lobato escreve para Rangel, em novembro de 1904, que em sua “aventura de arte pelos mares da vida em fora”, os dois amigos talvez retornem como o velho do quadro de Gleyre, “cansados, rotos”. “Nossos dois barquinhos estão hoje cheios de velas novas e arrogantes, atadas ao mastro da nossa petulância. São as nossas ilusões. Que lhes acontecerá?”
Quando Godofredo Rangel sugeriu pela primeira vez a publicação das cartas, Lobato rejeitou a ideia: “Que ideia sinistra a tua, de publicarmos as minhas cartas! Seria dum grotesco supremo, porque cartas só interessam ao público quando são históricas ou quando oriundas de, ou relativas a grandes personalidades.” (26 de maio de 1919) Anos depois, muda de ideia: “Desconfio, Rangel, que essa nossa aturada correspondência vale alguma coisa. É o retrato fragmentário de duas vidas, de duas atitudes diante do mundo – e o panorama de toda uma época. Literatura, história e mais coisas.” (5 de setembro de 1943) Na última carta, na véspera de São João de 1948, pouco antes de morrer, assim Lobato se despede do amigo: Adeus, Rangel! Nossa viagem a dois está chegando perto do fim. Continuaremos no além? Tenho planos logo que lá chegar de contratar o Chico Xavier para psicógrafo particular, só meu – e a primeira comunicação vai ser dirigida justamente a você”.
Gostei demais de saber um pouco mais da vida e obra de Monteiro Lobato! Se os livros do grande escritor ficaram ausentes na minha infância e adolescência, hoje me sinto muito feliz conhecendo um pouco mais esta biografia que despertou em mim admiração e vontade de ler outros livros de sua autoria.
Frases Conhecidas de Monteiro Lobato
- “Um país se faz com homens e livros. ”
- “Tudo tem origem nos sonhos. Primeiro sonhamos, depois fazemos. ”
- “Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê. ”
- “Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar. ”
- “A mim me salvaram as crianças. De tanto escrever para elas, simplifiquei-me.”
Após a agradável visita ao Sítio do Pica-Pau Amarelo e ao Museu, neste domingo ensolarado, ainda antes do almoço, deixamos a cultural Taubaté e retornando ao nosso excelente ônibus, passamos, ainda no estado de São Paulo, pelas cidades que fazem parte do o Circuito Religioso e da Fé: Aparecida do Norte, Guaratinguetá, e Cachoeira Paulista, que podemos observar no mapa de São Paulo, abaixo.

Em Aparecida, admiramos a imponente Basílica de Nossa Senhora Aparecida, que na passagem de nosso ônibus, ficava à nossa esquerda. A terraplanagem iniciada em 1952 foi terminada em 1954. A Basílica começou a ser construída em 11 de novembro de 1955. Sua estrutura metálica foi doada pelo então presidente, Juscelino Kubitschek.
Aqui faço um parêntesis para relembrar uma memória. Em 1954, lembro muito bem, eu estava estudando no Rio de Janeiro e participei de uma excursão, que chegou a este lugar, onde se estava fazendo a terraplanagem do que seria construído, mais tarde, este Santuário. Esta imagem do local preparado para a construção da basílica, está ainda na minha retina. Naquela madrugada estava muito frio!

Nosso ônibus de excursão do SESC, passou também em Guaratinguetá, terra natal de Frei Antônio de Sant’Anna Galvão, o primeiro santo do Brasil, canonizado no dia 11 de maio de 2007. É aqui onde se fazem as célebres pílulas de Frei Galvão. A terceira cidade do Circuito da fé é Cachoeira Paulista onde fica o atual Santuário de Nossa Senhora da Santa Cabeça. É o único Santuário do Mundo dedicado à Nossa Senhora de Santa Cabeça, devoção nascida e cultivada nesta cidade a mais de 190 anos. A imagem de Nossa Senhora da Santa Cabeça, assim como a de Nossa Senhora de Aparecida, também foi recolhida das águas. A história conta que em 1829 pescadores recolheram a imagem das águas do rio Tietê. Ela foi entregue a um comerciante que depois a trouxe para Cachoeira Paulista.
Muitos milagres atribuídos à Nossa Senhora da Santa Cabeça .
“Os principais milagres atribuídos à Santa Cabeça estão relacionados a situações que envolvem o pensamento, a inteligência e doenças como tumores, problemas de visão e audição”. “Desde então, Nossa Senhora de Santa Cabeça vem reunindo devotos e histórias de milagres como a do Ivan Bastos. O mecânico recebeu um diagnóstico de câncer cerebral e afirma que recebeu a cura depois de pedir à Santa. “No dia de fazer o exame, o médico falou que eu havia sido premiado, meu câncer tinha sumido. Para mim foi uma graça”. A devoção à Nossa Senhora da Cabeça, assim como no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, reúne aqui anualmente, milhares de devotos. Nesta cidade de Cachoeira Paulista está também a emissora da Canção Nova.
Abaixo podemos seguir no mapa do estado de São Paulo o percurso feito, saindo de Taubaté, ultrapassando Aparecida, Guaratinguetá e Queluz, passamos a fronteira e chegamos até Rezende no estado do Rio de Janeiro e de lá até Guarapari.

Seguindo, vemos o mapa que marca o trajeto de Rezende até Guarapari. Ultrapassamos a divisa do estado do Rio de Janeiro entramos no estado do Espírito Santo.
Viajar em companhia de excursionistas é sempre agradável, pois durante o caminho muitas conversas são feitas, muitas atividades podem ser realizadas orientadas pela guia, filmes vistos e canções apreciadas e, especialmente, poder se deslumbrar com a natureza exuberante destas regiões percorridas.
Após percorrermos, de acordo com o que me disse o nosso chofer, mais 767 km, chegamos a Guarapari, ao fantástico Hotel do SESC.
O SESC apresenta assim o próprio hotel:
“O nosso hotel conta com 547 apartamentos distribuídos em blocos. Todas as unidades possuem ar condicionado, televisão e frigobar. Os restaurantes possuem capacidade para atender até duas mil pessoas em sistema de autoatendimento, além de bares e lanchonetes. As nossas acomodações são seguras, tranquilas e oferecem toda a comodidade que você merece! O espaço do SESC atende a todas as demandas, e é perfeito para você que deseja realizar uma viagem à dois, passar um final de semana em família ou para confraternizações de empresas e amigos”.

Certamente um local para passar alguns dias deslumbrantes, neste calor de fevereiro! Pelas fotos podemos ter uma noção da grandeza e da beleza deste hotel do SESC.

Nos dias 18 e 19 de fevereiro, respectivamente segunda e terça feira, foi aqui que passamos muitos bons momentos, aproveitando o excelente espaço, nestes dois dias totalmente livres, banhados pela intensa luminosidade do sol de verão. Lá as opções são abundantes e diversas: piscinas com toboáguas, academia, biblioteca, boate, parque infantil, salão de jogos e vídeo, loja de souvenires e áreas livres para caminhadas.
Aproveitamos demais tudo o que o SESC de Guarapari nos poderia proporcionar, num local onde havia dezenas de piscinas a nos oferecer tudo aquilo que poderíamos desejar em termos de saúde e movimento e de descanso. Tenho poucas palavras para traduzir tudo o que pude aproveitar neste recanto superespecial.
Imaginemos as pessoas livres, com todo o tempo à disposição, podendo nadar, mergulhar e pegar sol de verão nestas piscinas de águas límpidas! Uma das coisas que considero de grande riqueza e prazer é conhecer pessoas com quem podemos nos comunicar em ótimas e instrutivas conversas, às vezes longas e agradabilíssimas! Também pode-se optar por uma solidão em contato com a benéfica natureza da água, sempre muito companheira! Além disso, poder caminhar e fazer exercícios neste amplo e agradável local. Encontrar as refeições sempre muito bem preparadas e os quartos de dormir também excelentes. Há muito a se dizer, quando temos a oportunidade de passar dias incríveis neste recanto do SESC, em Guarapari.
20 de fevereiro – Quarta-feira
Após um lauto café, saímos às 08h30, com o objetivo de visitar os principais pontos turísticos da cidade: Centro Histórico com suas igrejas, Praia da Areia Preta com as areias monazíticas, Praia dos Namorados, uma das mais belas praias da região e após, fazer uma visita à cidade histórica de Anchieta que fica a 80 km de Guarapari. Iniciamos visitando o Centro histórico desta cidade que teve a sorte de ter abrigado durante o período colonial, uma das figuras mais expressivas da Igreja e da própria história do Brasil, santo José de Anchieta.
Sobre Anchieta, esta pessoa carismática e cheia de saberes e de trabalhos realizados no Brasil Colônia, vale a pena trazer alguns dados:
“Uma vida direcionada para o ensino e o sacerdócio. É assim que podemos resumir a trajetória do Padre José de Anchieta, nascido no dia 19 de março de 1534, na cidade Tenerife, nas Ilhas Canárias. Tendo em sua origem a ascendência nobre pela parte do pai e judaica pelo lado materno, Anchieta foi levado para Portugal para que tivesse formação intelectual e não sofresse as bem mais intensas perseguições do Tribunal do Santo Ofício instalado em terras espanholas”.
Aqui deixo um dado pouco conhecido sobre as atividades de Anchieta, no Brasil.
“A escassez de médicos leigos, formados por escolas de medicina na Europa, pelo menos até o século XVIII, fez dos jesuítas os responsáveis quase que exclusivos pela assistência médica no primeiro século de colonização do Brasil. Ao longo do tempo, foram aperfeiçoando seus conhecimentos mediante contatos com os profissionais leigos residentes na colônia, e ainda pela leitura de importantes obras de medicina, encontradas em muitas das bibliotecas de seus colégios”.
“Outra interessante ação tomada por Padre Anchieta ao chegar às terras brasileiras está relacionada ao seu interesse em conhecer mais profundamente a língua dos nativos. Com o auxílio do Padre Auspicueta, aprendeu os primeiros termos e expressões do “abanheenga”, língua compartilhada por índios tupis e guaranis. Em pouco tempo, percebeu que as línguas faladas por várias tribos tinham uma mesma raiz formada por aspectos semânticos, gramaticais e vocabulares em comum”.
“Seu interesse pelas letras também se manifestou na produção de uma extensa obra que incluía a elaboração de poesias, sermões, cartas, peças teatrais religiosas e a produção de uma gramática intitulada “Arte de Gramática da Língua Mais usada na Costa do Brasil”. Essa preocupação com a língua era de essencial importância para a consolidação do projeto evangelizador dos jesuítas, sendo que textos e apresentações artísticas eram produzidos na língua nativa como forma de facilitar a conversão ao cristianismo”.
“Durante o período em que viveu em terras brasileiras, Anchieta andou bastante pelas regiões que hoje correspondem aos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. No ano de 1567, Anchieta alcançou o cargo de Provincial, o mais alto posto da Ordem de Jesus, que havia sido desocupado após a morte do Padre Manuel da Nóbrega. A partir de então, o padre José de Anchieta andou por toda extensão do território colonial orientando as atividades das várias missões jesuítas espalhadas pelo Brasil”.
Conhecer as biografias e as obras que realizaram pessoas como as do Padre Anchieta, é sempre um processo humano muito enriquecedor.

O Padre José de Anchieta que foi evangelizador, boticário, músico, poeta e primeiro teatrólogo do Brasil, muito divertia os índios com teatros ao ar livre. Anexo a Igreja funcionava um colégio, onde viviam e foram formados os primeiros padres do Espírito Santo e alguns do Brasil
Nesta excursão pela cidade de Guarapari, visitamos a antiga igreja Matriz conhecida também como Igreja das Conchas, uma bonita obra arquitetônica construída em 1585, no alto de uma colina, pelo padre José de Anchieta.

O nome é devido às conchinhas que revestem as paredes externas. Para a inauguração da aldeia e da igreja, o Padre José de Anchieta compôs a mais expressiva de suas obras literárias, o Auto Tupi, escrito em língua tupi. Esta obra tinha como personagem a alma de Pirataraka, índio falecido. É muito comovente relembrar tanta história aqui acontecida nos alvores do Brasil!
A hoje histórica e bela Igreja das Conchas, foi restaurada muitas vezes. Com a expulsão dos jesuítas em 1760, esta igreja ficou abandonada e o prédio entrou num processo de decadência. Em 1880, recebeu sua primeira restauração que conferiu detalhes da arquitetura neobarroca à fachada. Essa intervenção ocorreu graças à preocupação do Governo do Estado em preservar o prédio. Em 1970, foi tombada pelo IPHAN, como patrimônio nacional. Em 1972, passou por outra obra de restauração que resgatou a cobertura, forros e pintura geral. Hoje se tornou a Paróquia de Nossa Sra da Conceição e possui um grande acervo sacro, com peças do século XVIII, fica aberta para visitação apenas nos horários das missas.
Guarapari conserva também as ruínas de uma outra igreja que tem uma história muito interessante!

Em 1677, sob o mando de Francisco Gil de Araújo, Donatário da Capitania do Espírito Santo foi edificado esta igreja ao lado do posto do Convento, dedicando a N. Srª da Conceição. Esta igreja nunca chegou a ser totalmente construída, pois pegou fogo. Mais tarde tentou-se construí-la e foram refeitos os frontais e o campanário. Hoje a ruína encontra-se tombada pelo Patrimônio Histórico.
Andando pela bonita e hoje também moderna cidade de Guarapari, vistamos uma das principais atrações da cidade, a chamada Praia da Areia Preta, das célebres areias Monazíticas, que foram alvo de vários estudos e pesquisas no passado e continuam seus estudos também no presente. Continua sendo comprovado que possuem propriedades medicinais, aumentando assim a fama nacional e internacional desta cidade do estado do Espírito Santo.

Abaixo, foto do grupo da excursão do SESC, fazendo uma foto histórica nas areias monazíticas de Guarapari

A excursão visita à cidade de Anchieta a 80 km da cidade de Vitória.

Em seguida fizemos um passeio na hoje chamada cidade de Anchieta, local da antiga Reritiba, a aldeia indígena pré-histórica, escolhido por José de Anchieta, no século XVI, para localizar a missão religiosa. Foi também o local que Anchieta escolheu para passar os seus últimos dias. O padre transferiu-se definitivamente para Reritiba em 1587 e faleceu em 9 de junho de 1597, 10 anos mais tarde! Nesse período, produziu grande parte de sua obra literária e dramática, o que faz da cidade de Anchieta um dos berços dessas artes no Brasil. No pequeno quarto que há na Igreja, Anchieta passou os últimos dez anos de sua vida. Ele morreu aos 63 anos, tuberculoso e com um sério problema de coluna, em 09 de junho de 1597. O corpo do padre foi levado do quarto, amarrado numa rede por aproximadamente 3500 índios, até ser sepultado no antigo colégio de Santiago, hoje Palácio Anchieta, onde fica a sede do governo do Espírito Santo, em Vitória.
A HISTÓRIA DA CIDADE DE ANCHIETA, ANTIGA RERITIVA
A professora doutora Maria José dos Santos Cunha esclarece:
“Antes que chegassem os primeiros povoadores europeus já existia a aldeia Reritiba de índios Tupiniquins. A ancestralidade dessa aldeia é-nos desconhecida, não obstante a existência de mais de quatro dezenas de sítios arqueológicos indígenas sinalizados pelo IPHAN dentro do perímetro municipal de Anchieta, todos ainda por estudar. Que fique, portanto, claro que os primeiros jesuítas a chegarem a Reritiba nem fundaram a aldeia, nem lhe deram o nome, apenas se instalaram nela com o consentimento do morubixaba ou chefe tribal”.
Na língua Tupy, Reritiba significa “lugar de muitas ostras”. A Igreja Matriz Nossa Senhora da Assunção foi construída entre os séculos XVI na chegada do padre Anchieta com os indígenas da região. Os índios construíram a igreja e a cela (quarto do padre Anchieta) onde ele morreu. No Museu podem ser vistos móveis antigos, peças arqueológicas, roupas e outros grandes objetos de valor religioso e histórico dos séculos. XVI até os dias atuais. Na Cela de São José de Anchieta se encontra a relíquia de um de seus ossos. O museu é aberto diariamente para visitação, das 8 h às 18 h.
A interrupção dos trabalhos dos jesuítas: o século XVIII assistiu à expulsão dos jesuítas do Brasil. Seus bens foram sequestrados.
Na história da expansão e poder da Companhia de Jesus fundada especialmente para fortificar a Igreja Católica conta a Reforma Protestante, houve um revés. Foram expulsos e impedidos de exercer sua Missão no Brasil e no Mundo, com algumas poucas exceções. Logo após da partida dos jesuítas, a vila passou por um período de decadência devido à desocupação da região pela maioria dos nativos. A Coroa Portuguesa confiscou os bens da Companhia de Jesus e este conjunto abrigou, simultaneamente, em 1804, a Casa de Câmara da Vila de Benavente e a Cadeia Pública, além de servir como moradia para o vigário e o juiz. A partir da segunda metade do século 19, o pátio interno da residência começou a ser usado como cemitério da cidade, bem como suas áreas arruinadas.
Os jesuítas voltam ao Brasil em 1844 e se estabeleceram na antiga Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, na cidade de Porto Alegre. No ano de 1849 chegaram os jesuítas de fala alemã com a missão de atender os imigrantes alemães que, desde 1824, se encontravam naquela província. E em 12 de agosto de 1887, a vila foi elevada à condição de cidade, recebendo um novo nome: Anchieta, em homenagem ao famoso padre jesuíta que ali viveu e morreu no século XVI,
Os Jesuítas voltam a assumir sua Missão no Espírito Santo no século XX
“No ano de 1928, o bispo Dom Helvécio, comprou a residência da Prefeitura e a devolveu aos jesuítas, que passaram a residir aí para retomar a missão apostólica da região. Em 1943, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, reconhecendo a relevante importância deste monumento para a Memória Nacional, promoveu seu tombamento. Entre 1994 e 1997, a Igreja passou por uma reforma, realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, o Iphan. Quando o altar de madeira (painel da lateral) foi removido, foram encontradas pinturas na parede, semelhantes aos típicos azulejos portugueses. Naquele período, os azulejos eram caros, e os jesuítas não tinham recursos, então eram pintados, como se fossem azulejos. Na Igreja, há um retábulo do século XVII e outros dois menores do século XVIII. Ainda durante a reforma nas laterais, foram retirados 30 esqueletos de padres enterrados ali. Os ossos foram levados para o pátio do museu, área que já foi um cemitério de índios, escravos e civis. A arquitetura da Igreja segue o padrão da época em que foi construída. Naquele período usava-se óleo de baleia em lugar do cimento, então as paredes eram feitas de pedra, argamassa de concha, ostra e óleo de baleia. Duas peças de madeira do lado da janela, chamadas de conversadeira, são originais da construção. A trave superior também é original, só não é a janela. As peças foram feitas em peroba rosa, uma madeira resistente aos cupins e de grande durabilidade”.
A Lei Estadual nº 1307, de 30 dezembro de 1921, ratifica o nome Anchieta para a cidade, sete anos antes da segunda chegada dos jesuítas à localidade de Anchieta.
Chegamos ao Santuário Nacional de São José de Anchieta e lá visitamos a Igreja de Nossa Senhora de Assunção -1615. Esta igreja possui peças de alto valor histórico e sacro.

A Igreja Católica denominou o espaço como Santuário Nacional de São José de Anchieta devido à canonização do Padre José de Anchieta pelo Papa Francisco, em 2014 e sua declaração como copadroeiro do Brasil, em 2015, e por ter sido o lugar escolhido pelo sacerdote para viver seus últimos dias. Em 1965 foi criado no local, o Museu Nacional São José de Anchieta, que preserva imagens, objetos litúrgicos antigos da igreja e objetos da antiga aldeia de Reritiba.

O conjunto arquitetônico reúne a igreja de Nossa Senhora da Assunção construída por Anchieta, o Museu e o quarto onde o Padre José de Anchieta viveu os últimos anos de sua vida e morreu em 09 de junho de 1597. Em 2014, com a canonização de São José de Anchieta, o Santuário ganhou mais atenção de todos. Todos os dias, especialmente no dia 9 de junho, milhares de pessoas recorrem ao Santuário para celebrar a memória do co-padroeiro e apóstolo do Brasil. Em 2015 a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou Santuário Nacional o quarto onde o santo faleceu e nomeou São José de Anchieta como padroeiro da nação brasileira.
Neste dia voltando a Guarapari, tivemos noite livre para as atividades no SESC, após o Jantar
Dia 21 de fevereiro – Quinta-feira
Neste dia, 21 de fevereiro, saindo de Guarapari, chegamos à ilha de Vitoria após um curto trajeto de 56 quilômetros, numa viagem muito agradável.
Pela observação do interessante mapa abaixo, vemos a ilha de Vitoria num belo conjunto de muitíssimos acidentes geográficos. A Ilha de Vitória pertence a um arquipélago composto por 33 ilhas e por uma porção continental, totalizando 93,38 km. Sete pontes interligam a Ilha de Vitória ao continente.

Iniciando, é muito importante saber o que deu origem a este nome: Vitória! Ele se situa dentro da história do Brasil.
“O então Rei de Portugal, Dom João III, dividiu as terras do Brasil em capitanias hereditárias, cabendo à capitania do Espírito Santo ao fidalgo Vasco Fernandes Coutinho, que tomou posse em 23 de maio de 1535, instalando-se no sopé do morro da Penha, em Vila Velha. Explorando a região, os portugueses buscaram um local mais seguro para se guardarem dos ataques dos índios e de estrangeiros (holandeses e franceses). Em 8 de setembro de 1551, os portugueses venceram acirrada batalha contra os índios Goitacazes e, entusiasmados pela vitória, passaram a chamar o local de Ilha de Vitória. Em meio ao pequeno núcleo urbano, de feição nitidamente colonial, havia “capixabas” – roças – na língua dos índios – expressão que acabou servindo para denominar os habitantes da ilha e, posteriormente, todos os espírito-santenses. Os índios chamavam a Ilha de Vitória de Guananira ou “Ilha do Mel” pela beleza de sua geografia e amenidade do clima com a baía de águas tranquilas e manguezal repleto de moluscos, peixes, pássaros e muita vida…. No século XX, em função da ocupação dos morros, que refletem as luzes das casas nas águas da baía, Vitória passou a ser chamada de “Cidade Presépio do Brasil” e depois “Delícia de Ilha”.
A Beleza de Vitória
As paisagens da cidade encantam a quem chega, quer seja de avião, navio ou pela via terrestre. A cidade é singular por suas belezas naturais, seus grupos culturais tradicionais, seu crescimento notável, sendo um destino turístico em ascensão. A partir de meados do século XX, a cidade se transformou em função das mudanças econômicas ocorridas no Estado. A ocupação urbana se estendeu por grande parte da ilha e avançou, definitivamente, em direção à porção continental do município.
A Beleza das Pontes e das Escadarias de Vitória

A Terceira Ponte, oficialmente Ponte Deputado Darcy Castello de Mendonça, liga as cidades de Vitória e Vila Velha, no Espírito Santo e é um dos seus principais cartões postais.

Vitória é uma cidade que por uma razão, se caracteriza por muitas escadarias, pois elas têm a importante função de ligar a cidade baixa, a partir da Praça Costa Pereira, à cidade alta, próximo à Catedral Metropolitana.

Abaixo estamos, Cleci e eu, em frente ao porto de Vitória, na escadaria que leva ao palácio Anchieta, sede do governo estadual.

Lá no Palácio Anchieta também estão os restos mortais do santo, co-padroeiro do Brasil, santo José de Anchieta.
“O Porto de Vitória situa-se no centro de Vitória, capital do ES, na área da Baía de Vitória, abrangendo os municípios de Vitória (ilha) e de Vila Velha (continente). Foi criado em 1906…. Sua história está profundamente relacionada com o crescimento da cultura cafeeira. Na época, o embarque de cargas era feito no atracadouro denominado Cais do Imperador – simples cais de madeira (trapiche) que ficava onde hoje se localiza a escadaria do Palácio Anchieta. Datam de 1881 os primeiros estudos para a construção do Porto de Vitória. Em 1906, o Governo Federal autorizou à Companhia Porto de Vitória (CPV) a execução de 1.130 m de cais. Em 1924, a União encampou a concessão dada à CPV e transferiu-a ao Governo Estadual. Essa primeira fase de construção só terminaria em 1927. No ano seguinte, foi aprovada a segunda fase da obra do Cais de Vitória, que incluiu a construção dos armazéns I e II (concluídos em 1929), e o III (1932). A inauguração ocorreu em 1940, assinalando o começo do atual complexo portuário. Ainda nos anos de 1940, a CVRD montou a estação de embarque de minério em Vila Velha, seguida pela construção do Terminal de Graneis Líquidos e a instalação dos Cais de Paul. Já na década de 1970 foi inaugurado o Cais de Capuaba, em Vila Velha…O Porto de Vitória tem catorze berços de atracação e opera mais de trinta tipos de cargas, entre importação e exportação, como contêiner, trigo, automóveis, produtos siderúrgicos, malte, rochas ornamentais, concentrado de cobre, fertilizantes, graneis líquidos, etc”.

Passeando pela cidade, chamam a atenção entre igrejas muito importantes, a Basílica de Santo Antônio e a Catedral.
A Basílica de Santo Antônio

Um dos principais cartões postais da cidade de Vitória, tombada como patrimônio histórico municipal em abril de 2010, a Basílica de Santo Antônio tem um papel muito importante no turismo capixaba. Em 1956, a basílica começou a ser construída porque a paróquia de Santo Antônio já não comportava mais o número de fiéis.

“Os trabalhos só foram concluídos em 1976. A igreja Matriz de Santo Antônio, localizada no bairro de mesmo nome já não suportava mais o número de fiéis, então em nove de dezembro de 1956, o novo templo começou a ser construído devido à mobilização do Padre Pavoniano Mateus Panizza, que coordenou um mutirão de moradores e devotos para erguer o templo com mão de obra e doações. A igreja demorou vinte anos para ser concluída”.
“Sua arquitetura é renascentista, inspirada na Igreja de Nossa Senhora da Consolação, em Todi, na Itália.A Basílica possui quatro semi-cúpulas, uma cúpula central - conforme podemos observar na foto acima - e sua base tem forma de cruz grega… O mestre italiano Alberto Bogani foi o responsável pela pintura dos afrescos no interior da igreja e o artista Carlos Crépaz responsável pelos vitrais e a expressiva escultura do “Cristo Moribundo”.

A Catedral de Vitoria
Símbolo da cidade de Vitória, a Catedral foi tombada pelo Conselho Estadual de Cultura, em maio de 1984. Destaca-se no ambiente por sua imponência e por possuir arquitetura eclética com característica neogótica. Tem como destaque os maravilhosos vitrais de suas paredes.

“Demolida a antiga Matriz em 1918, o desenhista e paisagista Paulo Motta projetou novo templo em estilo neogótico, estilo adotado pela Igreja Católica para as suas construções religiosas, mas, durante muito tempo as obras ficaram paralisadas e o projeto original foi abandonado. Nos anos 30, quando a construção foi reiniciada, um novo projeto foi feito tendo o seu autor André Carloni, aproveitado as partes já erguidas e mantido o estilo neogótico, inspirado na Catedral de Colônia, na Alemanha”.
“Localizada na Cidade Alta, na Praça Dom Luiz Scortegagna, a Catedral Metropolitana de Vitória, teve sua construção iniciada em 1920 e foi somente concluída nos anos setenta. Ela ocupou este lugar onde, até 1918, havia uma igreja chamada Igreja de Nossa Senhora da Vitória, que era a Matriz da cidade. Era uma igreja de estilo colonial, que começou a ser edificada em 1551, quando Vitória ainda se chamava Vila Nova, no período do primeiro donatário da capitania do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho”.
Restauros da Catedral Metropolitana de Vitória
As obras tiveram início em 2011, incluindo a recuperação de áreas degradadas da Igreja, com destaque para a renovação do telhado e calhas.

Em 2013, foram executados a confecção e o retorno dos vitrais do altar, assim como a limpeza e automatização dos sinos. Em 2014, iniciou-se a grande obra de restauro contemplando o resgate histórico dos tons originais do prédio, novas instalações elétricas, implantação de novo sistema de iluminação, restauração de todas as portas, douramento das cruzes dos escudos e de adornos da Igreja, restauro e pintura na cor original do portal que abriga os vitrais dos arcanjos, restauro dos bancos existentes e introdução de novos bancos no presbitério, pintura das molduras das folhas de acanto, sonorização, repaginação do presbitério, restauro da cátedra do Bispo, restauro do piso, climatização do altar, abertura da cripta para visitação e celebrações. Também foram criados novos espaços como a Sala do Batismo e da Reconciliação, com construção da nova pia batismal e piso com detalhamento artístico em mosaico. Foi criado, ainda, o novo altar para abrigar a imagem de Nossa Senhora da Vitória.

Realmente é muito linda a Catedral de Vitória.
A excursão se dirigiu também para o Convento da Penha no continente. Chegando ao local, subimos uma grande escadaria! Nós estávamos visitando uma das mais belas construções do Brasil Colonial. Localizado a 154 metros de altitude, o Convento da Penha foi construído sobre um rochedo em 1558, pelo Frei Pedro Palácios, que aqui chegou em 1558, trazendo consigo o lindo Painel de Nossa Senhora das Alegrias.

Em 1568, dez anos mais tarde, foi edificada, no cume do penhasco, a Capela que recebeu a imagem de Nossa Senhora da Penha, vinda de Portugal em 1569.

Do seu alto a visão é ampla e belíssima: é possível avistar Vila Velha, Vitória e alguns municípios vizinhos. 
Conhecemos o Convento e a igreja da Penha. Foi muito interessante participar de uma Missa, admirar as paisagens onde se destacam a cidade, o mar e sempre as lindas pontes.

Após visitarmos e nos maravilharmos com o cenário do “Convento da Penha”, cumprindo a programação, a excursão se dirigiu para o bairro da Glória, a fim de conhecer a Fábrica de Chocolates da “Garoto”. Esta fábrica que já chegou a ser a maior da América latina, foi fundada em 16 de agosto de 1929, pelo imigrante alemão Heinrich Meyerfreund, com o nome de fábrica de balas H. Meyerfreund & Cia. A grande fábrica também tem estórias para contar. E aqui deixo alguns dados:
Nossa guia nos explica o porquê do nome “Garoto”. Meninos vendiam as balas em tabuleiros, nos pontos de ônibus de Vila Velha e assim as balas passaram a ser conhecidas como Balas do Garoto. Com o tempo, iniciou-se a distribuição para casas comerciais, tanto da capital como das cidades do interior do estado. A fábrica foi se expandindo e em 1934 Heinrich Meyerfreund recebeu uma herança de seus pais e comprou máquinas para a produção de chocolates. A Segunda Guerra Mundial (1939-45) interrompeu o ciclo da prosperidade e Heinrich Meyerfreund, por ser de origem alemã foi preso. Sabemos que todos os imigrantes que pertenciam às nações do Eixo (Itália, Alemanha e Japão foram presos e sofreram perseguições). Para não esquecer o nome das nações do Eixo é só lembrar um nome: Roberto (Roma, Berlim e Tóquio). Durante este período da Segunda Guerra, a fábrica foi gerida por interventores federais. Aqui estão as fotos da grande empresa brasileira que visitamos com muito prazer.


Na entrada do edifício, as recomendações:
Atenção: Por medida de segurança, é permitida a entrada na fábrica, com as seguintes vestimentas: calça comprida, tênis, camiseta de manga, sem qualquer tipo de adorno (brinco, anéis, broches, alianças, pulseiras, colares, piercings, etc). A idade mínima para fazer a visita é de 07 anos.
Em frente da fábrica, um cartaz à apresentava assim:
“GAROTO: TRADIÇÃO BRASILEIRA EM CHOCOLATES HÁ MAIS DE 80 ANOS
A Chocolates Garoto, localizada em Vila Velha (ES), é uma das 10 maiores fábricas de chocolates do mundo. A empresa conta hoje com um portfólio de aproximadamente 70 produtos. Dentre os produtos que fabrica estão caixas de bombons, Tabletes, Ovos de Páscoa, e chocolate para uso culinário como coberturas e pó solúvel, que podem ser encontrados em mais de 50 países. Seus maiores sucessos são a Caixa Amarela e os Tabletes Familiares com a marca Garoto; os chocolates Baton e Talento e o bombom Serenata de Amor. Também oferece versões em sorvetes e picolés de algumas das suas principais marcas”.
Foi muito interessante poder observar o complexo processo de trabalho ligado à fabricação do chocolate Garoto. Depois desta agradável e instrutiva visita, nosso guia local nos fala do bairro Maria Ortiz de Vitória e dá explicações sobre a origem de seu estranho nome.
Assim é contada esta a história:
“No início do século XVII Portugal e Espanha viviam o período chamado de União Ibérica (1580-1640), que foi quando ambos os Estados estiveram sob o reinado do mesmo soberano. Os holandeses, inimigos dos espanhóis, passaram a atacar as possessões portuguesas. Em 1624 atacaram e ocuparam Salvador, capital das colônias portuguesas no Brasil. No ano seguinte, uma esquadra holandesa penetrou na baía de Vitória, postou-se em frente da então Vila, fez um desembarque e atacou a capital da Capitania do Espírito Santo. Foi nessa ocasião que, segundo a tradição e alguns historiadores, Maria Ortiz teria feito sua aparição na história local. Buscando impedir os invasores que subiam a ladeira onde residia, a mulher derramou água fervente sobre os soldados inimigos em um momento que a defesa local fraquejava. Tal ato animou os defensores que, refeitos, contra-atacaram e puseram o inimigo em debandada. Há versões que aumentam o feito, creditando a vitória dos capixabas e a fuga dos holandeses unicamente à água fervente derramada sobre o comandante das tropas holandesas”.
A personagem se notabilizou pois por ter rechaçado a invasão holandesa nestas terras capixabas e desta forma, a cultura capixaba imortalizou Maria Ortiz.
Na verdade, a história se esconde em todos os cantos, só basta garimpá-la, para que se restabeleça o tecido do qual ela foi feita, em todas as suas nuances.

Como último programa no Espírito Santo, nosso guia nos convida a visitar na zona montanhosa do Espírito Santo, a 42 km de Vitória, a sede do Município de Domingos Martins, (Campinho) está situado a 542 metros de altitude. Com esta abriu-se mais uma oportunidade para conhecer parte importante da história do Espírito Santo que foi o processo da imigração alemã, ocupando a zona montanhosa do estado. Até meados do século 19, somente a faixa costeira do Espírito Santo havia sido ocupada.
A 1ª Imigração Alemã no Estado do Espírito Santo
No ano de 1846 um funcionário do Governo Imperial do Brasil, chegava, na Região do Hunsrück, na Alemanha, com a finalidade de recrutar colonos para as terras brasileiras. Os alemães desta região estavam em péssimas condições de vida e em busca de uma vida mais digna que lhe era prometida, decidiram seguir viagem para a América do Sul. Após 70 dias de viagem chegaram ao Rio de Janeiro. Os colonos se instalaram, em 27 de janeiro de 1847, na Serra da Boa Vista. Eram 39 famílias sendo 16 Evangélico-Luteranas e 23 Católicas.
A história registra que, D. Pedro II, imperador do Brasil durante 58 anos, acolheu imigrantes alemães e para eles foi criada a “Colônia Santa Isabel”. Este nome foi dado em homenagem à princesa Isabel e à Santa Isabel de Portugal. A princesa Izabel, filha de D. Pedro II é conhecida por de ter assinado a abolição da escravatura em 13 de maio de 1888. Por sua vez, Isabel “a Santa”, era a filha mais velha de Pedro III de Aragão com Constança da Sicília, nascida em 14 de fevereiro de 1282. Fora beatificada pelo papa Leão X e em 1625 foi canonizada pelo papa Urbano VIII.
Posso dizer que quando estive em Portugal me surpreendi, ao perceber como “Izabel, a Santa”, foi historicamente, muito venerada neste país.
Alguns dados interessantes sobre as colônias de imigrantes.
A partir de meados do século XIX, a região foi colonizada por alemães, pomeranos e italianos, que deixaram a Europa, na grande emigração, para começar uma vida nova no Brasil.

Nos municípios originários de colônias de imigrantes europeus, acontecem anualmente festivais que chegam a receber 30 mil pessoas, como a Festa da Polenta, em Venda Nova do Imigrante, Festa do Vinho, em Santa Teresa, a do Morango, em Pedra Azul.
Deixo aqui um dado sobre a presença de cientistas inesquecíveis descendentes destes imigrantes, como Augusto Ruschi e Roberto Kautsky. O primeiro, destacou-se no estudo dos colibris. Foi biólogo pesquisador dedicado a luta ecológica, até a sua morte. O segundo, também já falecido, além de cientista, era estudioso das orquídeas e bromélias.
Nesta região montanhosa há um acidente geográfico belíssimo, que é a gigantesca Pedra Azul, uma formação rochosa de quase dois mil metros de altura. A Reserva Florestal de Pedra Azul, foi criada pelo decreto 312, de 31 de outubro de 1960. A lei 4.503, de 2 de janeiro de 1991, transformou a reserva em Parque Estadual de Pedra Azul, com uma área de 1 240 hectares.

Dia 22 de fevereiro – Sexta-feira
O dia 22 de fevereiro, foi livre com todas as opções possíveis no excelente hotel do SESC. Daí em diante, seguimos o programa elaborado pelo SESC. Saímos no sábado dia 23 de fevereiro de Guarapari, e após o café da manhã e, chegando a Taubaté, nos hospedamos no Hotel Ibis Taubaté. Como o jantar não era incluso, saímos á noite visitando alguns locais de Taubaté, como shoppings e restaurantes. No domingo, dia 24 de fevereiro, após o Café da manhã, às 8h30 retornamos: a Florianópolis, onde chegamos, às 22h30, no terminal rodoviário Rita Maria.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
É com grande satisfação e alegria que hoje revejo nossa viagem e sou muito grata ao SESC pela oportunidade de conhecer um pouco a história, geografia e algumas realidades culturais neste caminhar até o Espírito Santo e lá, encantada, observar e admirar muito de nossa história do Brasil, tanto colonial como contemporânea. E, hoje, poder compartilhá-la com todos.
Valeu muito esta viagem e eu a recomento!
Gratias a la VIDA!
Anita Moser
Florianópolis, 31 de abril de 2021
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10 Comentários
Louisa Schröter
Parabéns, Anita!
Que bonito ver que te realizas na tarefa construtiva de compartilhar conosco tuas viagens e aventuras. Amei as dicas e o esmero com que escreves tuas impressões e sensibilidades sobre os lugares desse mundão. Quando for a Vitória farei nova consulta às tuas dicas. Sabes que te admiro muito e que moras no meu coração. Beijão!
Anita
7- Louisa, se me dizes que eu moro no teu coração e ouvir isto é, por si só, um grande presente que eu recebo agradecida, o mesmo posso dizer de ti que tanto admiro: tu também moras no meu coração, acompanhada de tua querida irmã Brigite, ambas excelentes profissionais educadoras. Obrigada pelas amorosas palavras com que valorizas o ato de compartilhar os conhecimentos, as impressões e as sensibilidades que as viagens me propocionaram. Receba meu grande abraço!
Anita
Salvelina, gosto demais dos teus comentários, sempre profundos e abrangestes. Acabei de ler tuas amorosas palavras após leres o relato da viagem à Guarapari, Vila Velha e Vitória no estado do Espirito Santo, lugares que eu desconhecia e que muito me surpreenderam. Tu afirmas que o relato mostra a beleza, a alegria e o encantamento que a viagem proporcionou e também, a riquíssima história dos lugares percorridos, em nosso Brasil. Obrigada por tuas palavras que valorizam estes relatos, que, também, por serem sempre acompanhados de fotos, apresentam maior clareza de entendimento dos lugares visitados. Abraço Salvelina e muito obrigada pela troca!
Edinado
Nossa!
Quanta riqueza de detalhes.
Impossível não viajar junto.
Uma ainda de história.
Parabéns, dona Anita, pela iniciativa.
Anita
Edinaldo, que bom ler teu comentário nesta troca amiga: “Nossa! Impossível não viajar junto! Uma aula de história! ” É importante saber que fizeste, virtualmente, esta viagem ao estado do Espírito Santo e gostaste muito do que aprendeste, nesta despretensiosa aula de história do Brasil. Obrigada pela tua companhia, nesta fantástica viagem!
Salvelina da Silva
Querida Anita. Que trabalho primoroso. Com uma pesquisa profunda e abrangente, você nos mostra a beleza, a alegria e o encantamento da sua viagem através de belíssimas imagens e de um texto elucidativo, rico e surpreendente mostrando um pedacinho deste nosso lindo Brasil. Com este teu excelente relatório tu nos mostras, de forma agradável e lúcida, a riquíssima história e a cultura dos lugares por onde andaste. Parabéns.
Um abraço
Salvelina da Silva
EDINALDO
Olá… Corrigindo meu comentário anterior.
“Uma aula de história!”
Não achei opção de editar comentário… rs
Zuleima da Silva Telles
Maravilha Anita.
Brasil precioso, seus relatos nos levam ao inusitado e nos trazem conhecimento, história, beleza
.
Areias pretas
São Luís única cidade brasileira, que foi fundada por franceses
E muito, muito mais conhecimentos e relatos.
Parabéns, obrigada!
Abraço da Zu!
Algacyr Maurício
É impressionante o quanto não conhecemos do nosso próprio país!
Grato Anita por sua maravilhosa iniciativa em compartinhar esses momentos tão especiais.
Gratidão!
Anita
Algacyr Maurício, a você que está me acompanhando há anos, neste trabalho de publicação dos relatos no site, posso dizer que seu empenho é essencial para que a publicação saia a contento. E aqui vai o que colocas no comentário: “É impressionante o quanto não conhecemos do nosso próprio país!Grato Anita por sua maravilhosa iniciativa em compartilhar esses momentos tão especiais”. Isto mostra o quanto valoriza estas viagens e estudos , aos quais, ambos, dedicamos nossas energias. Muito grata Maurício por esta partilha!