Brasil

Excursão Cultural a São Paulo

       Iniciando este relato da excursão a “São Paulo Cultural” organizada pelo SESC, gostaria de explicitar aqui algo sobre as viagens. Para mim, estas não são somente passeios interessantes e, em geral, muito instrutivos e agradáveis, mas também a possibilidade de aumentar o alcance dessas necessárias imersões culturais! Durante o processo de escrever sobre aquilo que visualizei ou escutei da fala dos guias locais que acompanharam a excursão, surgem sempre muitas perguntas, que procuro responder através de pesquisas. Assuntos que não me tinham chamado atenção começam a despertar o meu interesse, exigindo mais informações, que me deixam mais satisfeita com este novo conhecimento. Estes conteúdos se transformam em material para a elaboração escrita de um relatório final. Acredito que quem ler esses relatórios no meu site www.viagensdeanita.com.br vai-se enriquecer com novos conhecimentos e poderá passá-los a outros através do compartilhamento. Fico grata a quem fizer isto!  

A viagem  

       Saímos de Florianópolis da sede do Sesc na Prainha, no dia 12 de agosto de 2024, às 5h30, com o guia André, quando ainda não havia clareado o dia. Em São José, Camboriú e Joinville, outros turistas completaram o total de 38 participantes num ônibus leito total, que foi muito bem-vindo pois o prometido havia sido o meio leito. Com paradas técnicas a cada duas horas, almoçamos e tomamos cafés em restaurantes ao longo da rodovia Br-101. Chegamos a São Paulo às 20 horas e nos hospedamos no hotel San Juan, que fica próximo à Praça da República. Alguns dos excursionistas saíram para jantar enquanto outros jantamos no hotel, muito bem-servidos por simpáticos e atenciosos garçons. Foi combinado que a saída para conhecer São Paulo cultural seria às 9 horas do dia seguinte. O guia pede pontualidade! Da janela do meu apartamento, à minha esquerda, fiz a primeira foto e descobri o edifício Itália na paisagem.   

       O Edifício Itália, também conhecido como Circolo Italiano, está localizado no centro de São Paulo, na esquina das Avenidas Ipiranga e São Luiz. Foi inaugurado em 1965 e, desde sua fundação, é considerado um dos maiores exemplos da arquitetura brasileira. Seu destaque fica com o “Terraço Itália”, restaurante que se encontra no topo.   

 Dia 9 de agosto, sexta feira  

       Depois de uma noite de descanso e um bom café, André nos apresenta Marco, o guia local que nos acompanhará até o fim do dia deste próximo domingo. O programa de hoje é amplo, importante e significativo:  

1 – Teatro Municipal   

2 – Museu de Língua Portuguesa   

3 – Pinacoteca   

4 – Museu do Ipiranga    

        Saímos do hotel na energia e na alegria do começar a excursão nesta cidade cosmopolita! Partimos de ônibus, e nosso guia local, Marco, nos fala da história de São Paulo:  lembra a fundação no longínquo 1554, sabendo-se que, antes dessa data, outras cidades haviam sido fundadas pelos portugueses no litoral: em 1532, Martim Afonso de Sousa fundou São Vicente. Nesse ano também foi fundada Itanhaém, e, depois, a cidade de Santos, em 1546. Em 1553, João Ramalho, que vivia no planalto desde antes da criação de São Vicente, fundou a Vila de Santo André da Borda do Campo, situada no caminho do mar (atual região do ABC paulista). Os jesuítas, que estavam interessados em estabelecer-se em um local onde pudessem catequizar os indígenas longe da influência dos homens brancos, escolheram uma região próxima, chamada Piratininga. Nessa aldeia indígena, houve a fundação da missão jesuítica. Era o dia 25 de janeiro, dia da conversão de São Paulo.   

Ao redor do Pátio do Colégio, começou a cidade de São Paulo. O que se chamava Piratininga se chamará São Paulo de Piratininga e, depois, só São Paulo e atingirá o seu ápice após o espetacular crescimento demográfico e econômico advindo do ciclo do café (1800 a 1930) e da industrialização, que elevariam São Paulo ao posto de maior cidade do País.  

A figura acima é a réplica do Pátio do Colégio, porque a original foi queimada.   

Na nossa língua portuguesa ficaram os nomes indígenas!  

       O que mais me impressionou neste início de excursão, ainda no ônibus, foi ouvir o guia Marco falar sobre o significado de diversos nomes de origem indígena que identificam ruas aqui em São Paulo. Esses nomes nos recordam o fato histórico de que aqui era a terra do povo autóctone, os indígenas. Pronunciamos agora estes nomes sem saber o significado que os indígenas lhes atribuíam. Em praticamente todas as regiões da cidade, lá está a língua indígena, não só em ruas, mas também em locais específicos e também em bairros. Relembro aqui nomes de ruas ainda hoje encontrados nessa cidade fundada há 463 anos e que o guia Marco cita dando também seu significado: Rua Gravataí, que significa “rio de gravatás” ou “caraguatás”, uma planta espinhosa. Rua Itambé ou Itaimbé, que significa “pedra afiada, pontiaguda”. Rua Maranhão, que significa “mbará nhã”, ou “mar agitado”. Rua Jaguaribe, quer dizer “rio das onças”. Rua Sabará, ou “itabará”, significa “pedra brilhante”. Rua Sergipe, significa “rio dos siris”. Ibirapuera: quer dizer “pau podre” ou “árvore apodrecida” no idioma tupi. Anhangabaú: no tupi, significa rio ou água do mau espírito.  

       Além daquelas que nosso guia lembrou, trago aqui mais algumas que pesquisei na Internet! Mooca, segundo historiadores, é um vocábulo oriundo do Tupi Guarani e possui duas versões, MOO-KA (ares amenos, secos, sadios) e MOO-OCA (fazer casa), expressão usada pelos índios da Tribo Guarani para denominar os primeiros habitantes brancos, que erguiam suas casas de barro. Pacaembu:significa “terras alagadas”, em função do alto número de rios que havia na região e que, obviamente, durante as chuvas alagavam e “prejudicavam” os caminhos indígenas. Tucuruvi: significa “gafanhoto verde”. Cambuci: faz alusão a uma fruta verde que quase foi extinta no país. Itaquera: quer dizer “pedra dura”. Aricanduva: de origem Tupi, significa sítio das plantas aíris, um determinado tipo de palmas. Tietê: significa “água verdadeira” ou “rio volumoso” devido ao grande volume de água que passa por ele. Anhanguera:  de anhanga”, diabo e “puêra”: aquilo que se foi ou velho. Ipiranga: é oriunda de Ypiranga: “Y”, significando rio, e “Piranga”, vermelho. Jabuticaba – tem origem na língua Tupi e significa ”alimento de jabuti”, Piratininga- significa peixe seco. Entre as cidades com nomes indígenas, estão: Arapeí, Areias, Atibaia, Bananal, Caçapava, Caraguatatuba, Guaratinguetá, Igaratá, Jacareí, Paraibuna, Pindamonhangaba, Piracaia, Potim, São Bento do Sapucaí.  

       Não é maravilhoso rever esta herança indígena e escutar suas vozes nomeando os lugares que hoje ocupamos?     

       Desembarcamos do ônibus na “Praça Ramos de Azevedo” de onde descortinamos muitos edifícios importantes e históricos. Após o primeiro olhar de admiração, fizemos algumas fotos no local.  

       Na primeira foto temos o Teatro Municipal visto de lado. Na segunda foto vemos ao fundo o prédio da Light. Na terceira foto veem-se outros prédios que nosso guia local Marco aponta, explicando: a “Praça Ramos de Azevedo” é famosa por abrigar o Teatro Municipal, o Viaduto do Chá, os prédios do antigo Mappin, o antigo Hotel Esplanada e, seu vizinho, o CBI-Esplanada, entre outros. No fundo da praça, no lado direito, está o Edifício da Prefeitura, que era o antigo edifício Matarazzo, sede das indústrias Matarazzo. Hoje é um dos prédios mais icônicos da cidade instalado no Centro Histórico, no Viaduto do Chá.   

 Sobre o edifício Matarazzo e sua história  

       O prédio erguido pelo Conde Matarazzo entre os anos de 1937 e 1939, ocupou o lugar de um dos antigos Palacete Prates, construído em 1912. Foi um dos mais chiques da época, foi sede do Grand Hôtel de la Rotisserie Sportsman e do jornal “Diário da Noite”, de Assis Chateaubriand. Este passou por diversas mãos: no ano de 1972 foi vendido para o Grupo Audi. Em 1974, o Banco do Estado de São Paulo (Banespa) comprou o local, que ficou conhecido como “Banespinha”. Durante a gestão do banco, o prédio ganhou espaços especiais, como o Museu e a Biblioteca do Banespa. O prédio apresenta algumas características como as letras MMM.  

       Acerca das três letras “M” que aparecem repetidas vezes nas fachadas, duas versões são conhecidas, segundo o Departamento de Patrimônio Histórico (DPH). Em uma delas, são atribuídas aos três membros da família Matarazzo que estiveram à frente das indústrias até a construção do edifício: Conde Francesco Matarazzo, Ermelino Matarazzo e Francisco Matarazzo Júnior. Já a segunda versão diz que as letras representariam: Matarazzo, Mussolini e Marcello (Piacentini). A arquitetura do edifício é do estilo brutalista, o estilo preferido por Mussolini.  Acima das portas de acesso ao prédio, cinco painéis esculpidos identificam os ramos de negócios das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo: tecelagem, metalurgia, agricultura, química e comércio. No telhado do edifício, há um grande jardim com 400 espécies vegetais diferentes, plantas brasileiras, informa nosso guia Marco. A escultura de granito localizada em frente ao prédio, próximo à entrada principal, é a “Guanabara” e constitui uma homenagem à baía da Guanabara. A figura representa uma índia com algas entrelaçadas nos cabelos e nadadeiras nas pernas. O edifício Matarazzo é também conhecido como Palácio do Anhangabaú. Em 2004, com a privatização do Banespa, o edifício foi cedido à Prefeitura de São Paulo como parte da negociação de dívidas. Hoje é possível conhecê-lo através de um tour com horário marcado, conduzido por um guia de turismo credenciado, com entrada gratuita.   

Outro prédio icônico é o edifício do Banco Central de São Paulo, construído em 1947, que já foi o prédio mais alto da cidade, chamado também o “Empire State de São Paulo”, imitando o “Empire State Building” de Nova Iorque.

       O antigo Banco Central de São Paulo foi comprado pelo Banco Santander, em 2000. Em 2017, o Banco Santander reformou o prédio e o local foi relançado como “farol e espaço cultural”. Em 25 de janeiro de 2018, no aniversário da cidade de São Paulo, o Banco Santander – proprietário do edifício – inaugurou este centro cultural denominado “Farol Santander”.    

A Light  

       Marco, apontando o prédio da Light, diz que essa empresa Canadense veio para São Paulo em 1899 para ser a responsável pela geração e distribuição de energia elétrica na cidade, além de responder pelo transporte público de bondes. Até aquela data a iluminação era a gás. O prédio da Light foi construído após a aquisição do terreno do antigo Theatro São José, cuja imagem está abaixo. O prédio da Light hoje é o Shopping Light.   

       Marco fala sobre o prédio do Mappin tradicional por sediar grandes lojas. Foi comprado pelo SESC e vai ser o Centro da Memória do SESC. Localizado na “Praça Ramos de Azevedo”, o prédio foi projetado pelo arquiteto Elisiário Bahiana, o mesmo responsável pelo Jockey Club e pelo Viaduto do Chá. Sobre o Viaduto do Chá, um marco importante de São Paulo, falarei mais adiante.   

       Marco nos fala também a respeito de um dos prédios mais elegantes de São Paulo, construído em 1923, o antigo Hotel Esplanada da Praça Ramos de Azevedo. Na década de 20 havia um túnel que ligava o Teatro Municipal para esse hotel.   

       O empresário José Ermírio de Moraes comprou o prédio Esplanada em 1963 e reformou o seu interior, com o objetivo de ali abrigar os escritórios centrais do grupo Votorantim, aí instalados em 1965. O edifício foi rebatizado como edifício Ermírio de Moraes. No entanto, em 2014, o Governo do Estado de São Paulo o comprou da Votorantim. Essa mudança faz parte dos esforços do governo paulista para revitalizar o centro histórico da cidade. Registrando sua importância como marco urbano do Vale do Anhangabaú, o CONPRESP realizou o tombamento já em 1992. Hoje abriga a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. 

Inaugurado em 1951 e localizado na Praça Ramos de Azevedo, esquina com a Rua Formosa, está um ícone da arquitetura paulistana, o Edifício CBI – Esplanada.

Com 50 mil metros quadrados de área construída, foi considerado, na época, a maior estrutura em concreto armado do mundo, além de ter sido o primeiro arranha-céu construído no Vale do Anhangabaú. Hoje tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal, sua arquitetura externa deve ser preservada. No 23º andar do edifício funciona o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP).  

       Esta foi a oportunidade imperdível de ver a cidade por um outro ângulo. Depois deste primeiro encontro com a visão de prédios icônicos e ainda na praça Ramos de Azevedo, senti a necessidade de responder a uma questão:  qual a importância na história de São Paulo deste personagem que dá nome a esta importante praça? Assim pesquisando descobri a importância de “Ramos de Azevedo”.  

Foi um arquiteto, engenheiro, professor e empreendedor paulista, que teve extrema importância na transformação arquitetônica de São Paulo participando do desejo de progresso daquela época.  Filho de uma família abastada de Campinas (SP), depois dos primeiros estudos no Brasil, foi estudar na Universidade de Gante, na Bélgica, onde se graduou como engenheiro e arquiteto em 1878. “Gante” na Bélgica é uma das mais belas e vibrantes cidades não só do país, mas de toda a Europa. 

“Ao retornar ao Brasil, com sólido conhecimento em construção civil, abre seu primeiro escritório profissional, em Campinas. Em 1886, ele é convidado a projetar os edifícios públicos na cidade de São Paulo. No final do século XIX e começo do século XX foi responsável por diversos prédios da “Belle Époque Paulistana”, um período de grande desenvolvimento da cidade, marcado por avanços tecnológicos, imigração e crescimento industrial.”  

Principais obras de Ramos de Azevedo  

1-Prédio da Tesouraria da Fazenda, hoje Secretaria da Justiça do Estado de São Paulo; 2-Palácio da Justiça; 3-Liceu de Artes e Ofícios, hoje Pinacoteca do Estado (1897-1905); 4-Escola Normal, hoje Secretaria da Educação do Estado de São Paulo; 5-Hospital Militar; 6-Asilo dos Alienados do Juqueri; 7-Teatro Municipal (1903-1911); 8-Faculdade de Medicina da USP; 9-Prédio dos Correios e Telégrafos;10-Palácio das Indústrias (1911-1924); 11-Mercado Municipal (1928-1933); 12- Casa das Rosas (1935).  

“Em sua carreira profissional, também se destaca como um dos fundadores e professor da Escola Politécnica de São Paulo (Poli), da qual chegou a ser diretor. Dirigiu ainda o Liceu de Artes e Ofícios, voltado para o estudo da arte. Em 1904, Ramos de Azevedo foi eleito senador estadual, cargo que exerceu por apenas um ano e meio. Morreu em 12 de junho de 1928, no Guarujá (SP). 

Certamente o nome dado a esta “Praça Ramos de Azevedo” é justa e merecida homenagem que lhe fazem os paulistas.   

Em São Paulo há outros prédios simbólicos que nosso guia Marco enumera, como, por exemplo, o Edifício Martinelli. Sua construção foi iniciada em 1924 e foi inaugurado mesmo inacabado, com apenas 12 andares, em 1929.

O Edifício Martinelli foi o segundo arranha-céu do Brasil entre 1934 e 1947 e, durante um tempo, o mais alto da América Latina. Gerou grande polêmica, pois, até esse momento, não havia nenhum outro prédio em São Paulo com altura semelhante, e se discutiu a segurança de ter edifícios de tal altura na cidade. Para garantir que o prédio não cairia, Martinelli encomendou lá no alto, a execução de um palacete como moradia de sua própria família.    

       Depois que o Brasil declarou guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), em 2 de agosto de 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, o Governo Brasileiro na “Ditadura de Vargas”, tomou para si este edifício. Em 1944, o prédio foi leiloado pela União, sendo subdividido entre 103 proprietários. Na década de 1950, o edifício entrou em uma fase de degradação extrema. Em 1975, foi desapropriado pela Prefeitura de São Paulo e completamente reformado pelo prefeito  Olavo Setúbal. Após muitas mudanças positivas na sua aparência e estrutura, o Edifício Martinelli foi reinaugurado em 1979. Hoje o Edifício Martinelli abriga as Secretarias Municipais de Habitação e Planejamento, as empresas EMURB e COHAB-SP, a sede do  Sindicato dos Bancários de São Paulo, além de estabelecimentos comerciais no piso térreo.   

       Há também o Edifício COPAN (Companhia Pan-Americana de hotéis e turismo), com suas linhas curvas projetadas pelo arquiteto modernista Oscar Niemeyer. Niemeyer apresentou o projeto em 1951, encomendado que fora para festejar o IV centenário de São Paulo, em 1954. Foi inaugurado em 1966. Abriga 1.160 apartamentos e, aproximadamente, 5 mil moradores em 32 andares e seis blocos. Nos dois níveis abaixo da Avenida Ipiranga, estão as 221 vagas de garagem. A ideia era inspirada no Rockefeller Center, de Nova York, um grande centro comercial, de lazer e residências.  

Atenção: Trabalhando neste relatório no dia 3 de outubro, ouço pela TV, às 21h30, que parte desse edifício COPAN sofreu um incêndio. O fogo se iniciou nas colunas de dilatação do edifício de 35 andares, mas foi controlado.   

A Catedral neogótica, um prédio muito importante!  

       É uma das igrejas mais antigas de toda São Paulo, construída poucos anos após o descobrimento do Brasil. No entanto, diversas versões foram erguidas neste local, desde quando o cacique Tibiriçá o escolheu para a construção da primeira igreja da Vila de São Paulo de Piratininga. A história da Catedral da Sé ou Catedral Metropolitana de São Paulo começou, pois, em 1589, quando a primeira igreja de taipa de pilão foi construída em acordo com os missionários jesuítas.   

       A construção da presente Catedral iniciou-se em 1913; ela foi inaugurada em 1954, após 40 anos, por ocasião dos festejos dos 400 anos da fundação da cidade. O edifício foi feito em granito maciço e, nos seus acabamentos, foram usadas 800 toneladas de mármore. É considerada o maior templo neogótico do mundo, apesar de ter uma cúpula de estilo renascentista.  

O edifício Sampaio Moreira 

Ainda no Viaduto do Chá, está o edifício Sampaio Moreira, inaugurado em 1924. Considerado o primeiro arranha-céu de São Paulo, com 50 metros de altura e 12 andares, foi projetado pelo arquiteto Christiano Stockler para o comerciante Sampaio Moreira.

Utilizado como prédio comercial, foi administrado pela família. No entanto, em 2010, o Sampaio Moreira foi desapropriado pela Prefeitura Municipal de São Paulo, e, em 2012, foram iniciados trabalhos de recuperação e restauração do edifício. Desde 2018, a Secretaria de Cultura ali está instalada.   

 O Viaduto do Chá, um marco na história de São Paulo para o qual já se pagou pedágio. 

        A cidade de São Paulo, que foi fundada no topo de uma colina, permaneceu durante quase dois séculos, como uma vila pobre. No entanto, em 1711, a região foi elevada à categoria de cidade. A população aumentou e a transposição dos vales que cercavam a colina inicial se tornou necessária. Entre diversos viadutos construídos, o Viaduto do Chá foi o primeiro. O nome do viaduto  faz referência às plantações de chá da Índia existentes no Vale do Anhangabaú , naquela época. A primeira estrutura a cruzar o vale foi feita em treliça metálica, no ano de 1892. O viaduto era iluminado por 26 lâmpadas a gás e contava, para fins estéticos, com obras de arte em suas quatro extremidades e balaustrada de bronze, com o logotipo da Companhia de Ferro.  

       Para pagar as despesas de sua construção, instituiu-se um pedágio. Eram cobrados sessenta réis ou três vinténs para a utilização da passagem, o que na época lhe garantiu o apelido de Viaduto dos Três Vinténs. Em 1897, o viaduto se tornou gratuito. Com o aumento do trânsito, congestionamentos e forte urbanização do centro de São Paulo, foi lançado, durante a década de 1930, um concurso para a construção de outro viaduto no mesmo local. Em 18 de abril de 1938, o novo e atual viaduto foi inaugurado.  

A base econômica da expansão de São Paulo foi o Café 

       São Paulo começou a crescer no início do século XIX e sua base econômica foi o cultivo do Café, cuja expansão possibilitou o desenvolvimento industrial, ferroviário e cultural do Brasil.  O café no Brasil também tem uma história: o oficial português Francisco de Mello Palheta, vindo da Guiana Francesa, trouxe em 1727, as primeiras mudas da rubiácea, que foram plantadas no Pará, onde floresceram sem dificuldade. Em 1760, o café chegou ao Rio de Janeiro espalhando-se pela região e transformando a província de Vassouras na capital do café brasileiro, no começo do século XIX. Até 1860, a produção de café do Rio de Janeiro era líder no País, atingindo 78,5% da produção total. A partir de 1837, o café tornou-se o principal produto de exportação do Brasil Império. As principais áreas de cultivo vieram a se localizar no estado de São Paulo: o Vale do Paraíba, comandado pelos Barões do Café, que utilizavam mão de obra de africanos escravizados; e o Oeste Paulista, comandado pela burguesia cafeeira, que empregou a mão de obra do imigrante. Para transportar e escoar o café do Oeste, foram criadas as primeiras ferrovias da história do Brasil, que passaram a cruzar todo o estado de São Paulo, ligando as áreas produtivas aos portos de exportação.  

A modernização de São Paulo  

       São Paulo, no intuito de modernizar-se, imitou o movimento ocorrido na Europa, durante a Belle Époque (1871 a 1914), que foi um período de paz e de grande desenvolvimento cultural, artístico e tecnológico. A Avenida Paulista, por exemplo, seguiu a arquitetura da Av. Champs-Élysées, de Paris. Aqui no Brasil, a aprovação de uma lei por Joaquim Eugênio de Lima fez com que todas as construções feitas na Avenida Paulista tenham pelo menos 10 metros de distância em relação à rua, bem como 2 metros de cada lado, a ser ocupados por jardins e árvores, seguindo o modelo urbanístico parisiense.  Bairros com decorações de tijolos à vista embelezavam as ruas da cidade, lembrando a cidade de Londres. A estação da Luz pode ser comparada com a antiga estação Charing Cross de Londres. Aqui, os vestígios de uma arquitetura colonial foram derrubados com pressa, a fim de dar lugar a uma cidade diversificada e moderna. Este olhar para a Europa e Nações Modernas foi a característica de São Paulo até a Semana de Arte Moderna, no centenário da Independência (1922), quando foi explicitada uma mudança fundamental neste “olhar” que se volta agora para o próprio Brasil!   

Nossa primeira visita: Teatro Municipal  

       Localizado na “Praça Ramos de Azevedo” e projetado pelos arquitetos Ramos de Azevedo, Claudio Rossi e Domiziano Rossi, no estilo arquitetônico eclético, o Teatro Municipal, surgido com a elite do café, foi inaugurado com a ópera de Hamlet!    

        Adentramos o Teatro e não há quem não se deslumbre com a beleza dessa entrada! A escadaria é de mármore de Carrara e as paredes são pintadas imitando mármore. Nosso guia Marco nos dá as primeiras orientações: o Teatro Municipal foi inaugurado em 12 de setembro de 1911 para ilustres convidados, diante de uma multidão de 20 mil pessoas admiradas com a pompa e com uma iluminação espetacular para a época. Importa frisar que o prédio foi o primeiro a ser totalmente abastecido por energia elétrica. O edifício faz parte do Patrimônio Histórico  do Estado de São Paulo desde 1981, quando foi tombado pelo  Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo). O Condephaat, criado em 1968, já tombou inúmeros bens, incluindo bens móveis, imóveis, edificações, monumentos, bairros, núcleos históricos, áreas naturais e bens imateriais.  Sabemos que o tombamento é um ato administrativo da maior importância, pois visa preservar bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e até afetivo para a população.    

       Nosso grupo foi então dividido entre os guias Gabriel e Armiori, dois jovens que exerceram sua tarefa com muita simpatia e profissionalismo. O guia pediu para não usarmos flash nas fotos. Nesta foto, Armiori, que guiou o grupo em que eu me encontrava, mostrou a foto do edifício da “Opera Garnier de Paris”, que serviu de modelo para o edifício desse Teatro Municipal.   

       Essa luxuosa construção foi erguida para atender aos padrões da cultura europeia cultivados pela alta sociedade paulistana, que, com a fartura do ciclo do café, desejava uma casa de espetáculos à altura de suas posses. Nós percorremos os andares do Teatro e observávamos alguns quadros de arte cuja moldura em dourado representavam grãos de café. Isto me falou sobre a importância fundamental da riqueza advinda da produção e do comércio do “Café” naquele momento histórico. E assim, cada canto do edifício do Teatro Municipal chamava nossa atenção por sua arte e beleza. No Teatro Municipal, há a Arte Grega e não a Arte Romana pelo fato de que a Ópera de Paris é inspirada na Arte Grega. Naquela época, a cultura francesa inspirava o gosto e a cultura brasileira, sobretudo em SP e RJ.    

        Nossa excursão fez uma foto num local privilegiado que lembra a sala dos espelhos do Museu de Versalhes. Ao olhar a moldura e o desenho artístico das grandes janelas não há quem não se emocione com tanta beleza e arte.   

Tapete dos irmãos Campana  

Nessa foto podemos ver o tradicional tapete original de 1911, encomendado aos irmãos Campana para proteger o chão de madeira nobre. O guia convida os visitantes a se deitarem para apreciar as obras do teto. Quanto aos espelhos, estes vieram da Bélgica, assim como os cristais do lustre da Sala de Espetáculos.  

Fomos ao grande salão em cujo palco diversos artistas e funcionários estavam preparando o ambiente para a exibição do ballet do Quarto Centenário agora celebrando os seus 70 anos.   

Visitamos os diversos ambientes com magníficas pinturas no teto e também grandes janelões artísticos circundando toda a sala.  

Uma obra de arte chamou atenção pelo inusitado de seus mínimos detalhes: uma fantástica marchetaria síria, presente da família de Jânio Quadros, que a doou ao Teatro Municipal, em 1980.    

O marco inicial do Modernismo no Brasil 

       O Teatro Municipal foi palco da  Semana de Arte Moderna, marco inicial do Modernismo no Brasil. Se no início do século o Brasil olhava para Europa e valorizava a modernidade que a representava, a situação mudou com a Semana de Arte Moderna de 1922.   

“O movimento teve como característica fundamental valorizar o Brasil e tudo que era produzido por brasileiros. Os intelectuais da Semana de Arte Moderna, como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Heitor Villa-Lobos, entre outros, foram os principais protagonistas de um ‘olhar para o Brasil’, de um movimento voltado para o interior. A partir desse momento, as influências europeias da Belle Époque iniciaram seu período de decadência.”  

O Teatro Municipal de São Paulo e o público paulista  

       Nas segundas e quartas-feiras é oferecida uma programação gratuita, sempre às 18h: são as séries Happy Hour e Quartas Musicais. São apresentações de alunos da Escola Municipal de Música de São Paulo e de integrantes da Orquestra Experimental de Repertório que acontecem no saguão ou no salão nobre do prédio histórico.  

A curta, mas importante visita ao Teatro terminou às 11h11 levando-nos a outro local imperdível!  

2- Visita ao Museu da Língua Portuguesa  

       Às 11h50 chegamos à Estação da Luz que abriga o Museu da Língua Portuguesa.  Abaixo uma foto da construção da Estação da Luz em 1900 e a atual estação ferroviária. Aqui algumas informações sobre a Estação da Luz:  

       O arquiteto britânico Charles Henry Driver projetou a estação entre 1895 e 1901, e todos os materiais usados na construção, incluindo a estrutura de aço, foram trazidos da Inglaterra de navio. A estação demorou seis anos para ser concluída e foi inaugurada em 1 de março de 1901. Esta estação ferroviária erguida junto ao Jardim da Luz teve em sua torre o relógio que foi o principal referencial para acerto dos relógios da cidade. Este prédio, em 1982, foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico ( Condephaat) .   

A riqueza do Museu foi recomposta  

       No final de 2015, por causa de um incêndio que  destruiu o prédio que abrigava o Museu da Língua Portuguesa, houve uma grande perda cultural para todos. A  possibilidade de rever agora toda esta riqueza recomposta nos deixava ansiosos! Ainda temos na memória a visão das estruturas desabando sob um grande fogaréu que a TV mostrou na época.   

       Ao chegar, apresentamos o tiquet de R$24,00 e recebemos um folder do Museu. Marco nos informa que teríamos uma hora para conhecer este tesouro.  Percebi logo que uma hora seria muito pouco. Aí tive a ideia de fazer fotos de alguns quadros, como este que está abaixo, mostrando a complexidade de todo o conteúdo que o Museu abarca. 

       O Museu da Língua Portuguesa foi inaugurado no dia 20 de março de 2006, na antiga sede administrativa da Estação da Luz e o projeto é do arquiteto Paulo Mendes da Rocha e de seu filho, Pedro Mendes da Rocha. A obra nasceu com um objetivo bem específico e muito importante: valorizar a diversidade do idioma. E é isto que acho muito interessante conhecer através dos trabalhos lá expostos. O Museu apresenta ao público a história, a importância e as variações da Língua Portuguesa, considerando-a como o patrimônio imaterial que constitui o grande elo da identidade cultural do povo brasileiro. É imenso o conteúdo exposto em 3 andares:  

1 – Línguas portuguesa

2 – Viagem da língua: como nasceu

3 – Regiões do Brasil: sotaques

       Observar, admirar, ler, ouvir e conhecer verdadeiras obras de arte trabalhadas e expostas aqui pela sabedoria e empenho de professores, educadores e artistas requer tempo! Certifiquei-me que o que poderia fazer aqui era só dar uma olhada nesta riqueza exposta e fazer registros em fotos. E planejar, quem sabe, uma visita com mais tempo numa outra oportunidade.  

Fiz fotos de duas dessas palavras de origem africana, mas, na verdade, lá existem inúmeras!

Após percorrer os três andares do Museu com olhos de plena atenção e ainda com a sensação de que faltou muito para ver, ler e encontrar delicadezas com esta visão, já estava na hora de terminar a visita. Certamente será muito importante poder fazer em outro tempo mais uma visita a esse magnífico Museu!   

A descida dos diversos andares do Museu pode ser feita de elevador ou pelas amplas e lindas escadas. O restaurante ficava no andar térreo.  
Ao lado do restaurante, havia uma lojinha que vendia lembranças do Museu. Entre todo o material exposto, o funcionário me mostrou camisetas de diferentes cores e com uma “vírgula” como ilustração. Achei espetacular, pois liguei ao fato de que muita diferença faz uma vírgula na compreensão daquilo que a gente escreve!!!  

Almoçamos com colegas da excursão neste restaurante  e fiz então estas fotos.  

Após sairmos do Museu e observando a grandiosidade da Estação da Luz, não poderíamos deixar passar este momento sem fazer uma foto! 
Depois do almoço, era hora de atravessar a rua e ir para a Pinacoteca, a histórica sede do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, cuja inauguração se deu em 1900.  

      Porém, antes de visitar a Pinacoteca, gostaria de fazer um parêntesis e escrever algo daquilo que me interessou saber desde o começo: Jardim da luz, Parque da Luz, Estação da Luz, o termo que aqui se repetia com uma certa frequência pedia explicação: a palavra LUZ!   

A origem da devoção à Nossa Senhora da Luz e a construção do Mosteiro da Luz 

“A devoção a Maria Santíssima com a invocação a Nossa Senhora da Luz teve seu início no século XV. Surgiu em meio a uma história singela e singular: ao ser aprisionado pelos mouros, um senhor português, Pedro Martins, muito devoto de Nossa Senhora, invocou com fé a proteção da Mãe de Deus, a qual o libertou. Tornou-se, então, o promotor da devoção a Nossa Senhora da Luz que, de Portugal, veio para o Brasil e está hoje presente em todo o território nacional”. 

Aqui abaixo vemos o Parque Jardim da Luz  

Sobre o Mosteiro da Luz  

       O Mosteiro da Luz, conhecido como Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz, é um convento da Ordem das Irmãs Concepcionistas e foi fundado por Frei Galvão, em 2 de fevereiro de 1774, que, inclusive, atuou como arquiteto, engenheiro e mestre de obras da construção.  

         É uma das principais obras coloniais de São Paulo, do século XVIII e um dos poucos conjuntos arquitetônicos coloniais que mantém seu uso original.  O local foi tombado pelo Iphan (1943), pelo Condephaat (1977) e pelo Conpresp.  Dentro do Mosteiro da Luz está o Museu de Arte Sacra de São Paulo, uma das maiores coleções do País.   

A palavra Luz identificou, assim, esses lugares de grande importância histórica: Jardim da Luz, Parque da Luz, Estação da Luz. Senti a necessidade de deixar aqui algumas linhas sobre o  Parque Jardim da Luz.

       A cidade de SP tem 103 parques públicos municipais com muito verde e muita diversidade de espécies da nossa fauna e flora e encontros com a arte. No entanto, o mais antigo é o Parque Jardim da Luz, que nossa excursão pôde apenas observar pela proximidade com os locais que visitamos. Através da leitura que fiz na Internet percebi que ele tem uma longa e interessante história, tanto de glória, como de abandono e também de recuperação. O Jardim da Luz, criado em 1800 por ordem da Coroa Portuguesa, tornou-se a primeira área verde da cidade. Em 1825, já com o Brasil independente, foi transformado em Parque, dando início ao conceito de área de lazer e bem-estar dos cidadãos. Foi especialmente a principal área de lazer pública da cidade, um dos pontos mais visitados e ganhou vários projetos paisagísticos, virando o lugar preferido da elite paulistana.   

A degradação e a recuperação do Parque da Luz  

       Durante grande parte do século XX  o  Jardim passou um grave período de abandono e degradação, servindo de zona de  prostituição e tráfico de drogas. A situação reverteu-se com uma política de revitalização da região central levada a cabo pelo Governo do Estado.  

“A restauração do parque começou em julho de 1999 com o trabalho de dezenas de especialistas do  Departamento do Patrimônio Histórico de São Paulo. Na primeira fase do restauro, foram feitas obras para a recuperação de espécies vegetais, assim como de impermeabilização dos lagos e reforma dos sistemas hidráulicos e elétricos. Na segunda etapa, foram feitas melhorias arquitetônicas no parque em geral e também no Coreto que havia sido construído em 1880. Como primeiro Coreto do Jardim da Luz servia de local para as apresentações das bandas musicais de colônias de imigrantes e para os bailes que já eram bem tradicionais no local”.  

 Um livro sobre este Parque recupera sua a autoestima 

Recentemente foi lançado o livro “Jardim da Luz- Um Museu a céu aberto”. Organizado pelo arquiteto Ricardo Ohtake e pelo historiador Carlos Dias.  

Uma interessante citação abre este livro: “O Jardim da Luz é o parque mais antigo de São Paulo : uma rara herança colonial presente ainda hoje na cidade”.  

“Atualmente, o Jardim da Luz conta com uma área de 113.400m², com locais para apresentações, coreto, playground, espelhos d’água, gruta com cascata, equipamento de ginástica, áreas de lazer, sanitários, mirante, aquário subterrâneo, pista de Cooper, ponto de bonde, lagos, chafariz, uma exposição permanente de esculturas, Casa do Administrador (museu) e Bosque da Leitura (SMC)”. E mais:  

* Feira de Automóveis Antigos (1° domingo do mês);

* Dança Circular (3° domingo do mês);

* Alongamento (atividade diária, às 7h00);

* Bosque da Leitura (sábados e domingos).

 Saber destas oportunidades que o Parque Jardim da Luz oferece aos cidadãos é motivo de alegria.   

3 – Visita á Pinacoteca 

  

A Pinacoteca, antigo Liceu de Artes e Ofícios!   

       O prédio foi projetado pelo engenheiro e arquiteto Ramos de Azevedo em 1896, para abrigar o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Ramos de Azevedo dirigiu o Liceu de Artes e Ofícios e a Pinacoteca de 1901 a 1921. A Pinacoteca do Estado de São Paulo é o mais antigo museu de arte da cidade e abriga a mais importante coleção de arte brasileira, com mais de 10 mil peças em seu acervo.  

Por indicação de Mário de Andrade, o Governo adquiriu a pintura “Mestiço”, de Cândido Portinari, e essa foi a primeira obra do artista a integrar a coleção de um Museu, no caso, a Pinacoteca.  

       A pintura “Mestiço”, o quadro mais famoso do artista, realizada em 1934, retrata o trabalhador em uma lavoura de café. O artista Cândido Portinari dedica sua arte às questões do Brasil. Chama a atenção sobre a força dos trabalhadores na produção da riqueza do café. A mestiçagem anteriormente considerada um ponto negativo para o Brasil, na verdade é uma riqueza cultural e representa a união das diferentes etnias que compõem a população brasileira.   

Em frente à Pinacoteca, foi construído um monumento a Ramos de Azevedo.  

     No dia 25 de janeiro de 1934, foi inaugurado em frente à Pinacoteca, o monumento em homenagem a Ramos de Azevedo. Em 1973, devido às obras do metrô,  o monumento  foi  transferido para a Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, onde permanece até hoje.  

Após essa visita, e ainda dentro do edifício da Pinacoteca, fizemos essa foto com as colegas, deixando aqui o registro de nossa passagem pela Pinacoteca de São Paulo. Aos fundos, o Parque Jardim da Luz.   

       Nosso ônibus se dirige para o Museu do Ipiranga, que se compõe do Monumento à Independência e do Parque adjacente. A meu lado, está Maria Helena Cunha amiga de longa data com a qual dividi o quarto durante esta excursão, forma como o Sesc prepara as viagens sempre muito bem-organizadas.   

Museu do Ipiranga  

       O edifício não foi construído para ser um Museu e sim um Monumento. Os monumentos representam a memória da nossa sociedade e este foi edificado no local onde D. Pedro I proclamou a independência do Brasil. Construído entre 1885 a 1890, foi inaugurado em 7 de setembro de 1895 como Museu de História Natural, projeto este encomendado pelo governo da província de São Paulo ao arquiteto e engenheiro italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, que, nessa construção, inspirou-se no estilo renascentista italiano. Esse movimento artístico, cultural e científico marcou a transposição da Idade Média para a Idade Moderna no início do século XV. As principais características do movimento renascentista na Itália foram o humanismo, o antropocentrismo, o individualismo, o universalismo, o racionalismo, o cientificismo e a valorização da Antiguidade Clássica.   

       Nem tudo o que está no Museu diz respeito diretamente à Independência do Brasil, mas o edifício foi construído para marcar e enaltecer esse fato histórico. Os gastos para a sua construção tinham previsão em mil contos de reis e as fontes de recursos foram as chamadas “Loterias do Ipiranga”. O Museu do Ipiranga hoje é a sede do Museu Paulista, um Museu especializado em história e cultura material! Cheio de muita beleza e harmonia, integra a Universidade de São Paulo.  

“Além de abrigar um dos maiores acervos culturais e históricos do País, é no aspecto arquitetônico que o projeto do Museu do Ipiranga foi um marco para a cidade de São Paulo. O estilo eclético do edifício-monumento serviu de modelo para inúmeras outras construções – os elementos estranhos ao que se era praticado, como colunatas duplas e detalhes ornamentais, passaram a ser vistos em diversos casarões pela cidade.”   

Logo na entrada, o que nos chama a atenção é a beleza, a grandiosidade e a arte com que se apresenta. Um grande tapete vermelho está embelezando a escada.  

        Nosso guia, Marco, fala sobre algo muito significativo que enfeita a entrada: as ânforas de cristal com água dos rios brasileiros que estão expostas ao longo da escadaria de mármore. Utilizar as ânforas de água foi uma ideia do diretor Afonso Taunay, que visava destacar a formação do Brasil através das águas dos rios brasileiros, quando as viagens fluviais garantiram o comércio. Cada vaso tem capacidade para cerca de 10 litros e o conteúdo só foi trocado uma vez, em 1991. Inicialmente, duas ânforas foram instaladas no ano de 1928 e, nesse caso inicial, carregavam as águas misturadas dos cursos localizados nos extremos do País: um com águas do Oiapoque e do Chuí, referente ao eixo Norte e Sul, e outra dos rios Capibaribe e Javari, referente ao eixo Leste e Oeste. Quanta simbologia!   

A decoração foi completada em 1930, com mais dezesseis peças referentes aos rios.  

“As ânforas de cristal do Museu do Ipiranga, em São Paulo, contêm água de mais de 16 rios brasileiros, incluindo o Parnaíba, o Tocantins, o Paraíba, o Madeira, o Carioca, o Paraná, o Negro, o Capibaribe, o São Francisco, o Paraguai, o Amazonas, o Uruguai, o Jaguaribe, o Piranhas-Açu, o Doce e o Tietê.”   

       O engenheiro e arquiteto italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, que nasceu em Turim, em 1844, radicou-se no Brasil em 1875 e faleceu em 1915 , foi o responsável pelo projeto do Monumento do Ipiranga. Em 1895, o recém-criado Museu do Estado (Museu Paulista) foi transferido para o Monumento. E, assim, a história da construção de um Monumento para celebrar a independência do Brasil se uniu à história do mais antigo Museu do Estado de São Paulo. Integrado à USP desde 1963, o Museu do Ipiranga atende as funções de ensino, pesquisa e extensão. Construído como Edifício-Monumento, o Museu do Ipiranga, sob a tutela do Museu Paulista, é o Museu Público mais antigo de São Paulo.  

       Nesta rápida visita, muito do conteúdo desse excelente Museu se deixou de ver e admirar.  

       Na última sala visitada, como uma surpresa muito impactante, pude ver a monumental maquete do Monumento. Isto tudo é espetacular!!  

O Parque da Independência completa um belo conjunto com o Monumento à Independência! 

O Jardim do Parque da Independência  é um jardim de estilo francês, projetado no início do século XX pelo paisagista belga Arsenius Puttemans, inspirado em clássicos franceses, como os do Palácio de Versalhes. Poder visitar o Museu do Ipiranga com tanta história e beleza, mesmo que rapidamente, foi uma surpresa muito agradável!    

Dia 10 de agosto de 2024 

       Nesse sábado, o dia estava nublado, escuro e chuvoso. Saímos do hotel às 9 horas para realizar a primeira visita do dia ao Mosteiro de São Bento, que já existe há 496 anos. Foi fundado em 14 de julho de 1598 por monges beneditinos, que receberam uma sesmaria na cidade e foram a segunda ordem religiosa a estabelecer-se no local, depois dos jesuítas. O Mosteiro é conhecido e muito procurado pelos amantes do “Canto Gregoriano” das missas no domingo. A atual igreja do Mosteiro foi construída entre 1910 e 1914, a partir do projeto criado pelo arquiteto alemão Richard Berndl, no estilo neorromânico. A decoração interna segue o estilo da escola artística e monástica beuronense, nome este devido ao local de onde surgiu, Beuron, Sul da Alemanha. O artista foi o beneditino belga, Dom Adalbert Gressnigt (1877-1956), auxiliado pelo Irmão Clemente Frischauf (1869-1944), que era alemão. O local possui em seu conjunto a Basílica Abacial Nossa Senhora da Assunção, o Colégio de São Bento e a Faculdade de São Bento. O papa Bento XVI nela se hospedou quando veio ao Brasil. 

       Entramos na igreja do Mosteiro de São Bento. Lá a beleza e a harmonia de sua arquitetura, arte e o silêncio reinante no ambiente, tudo nos convidava a momentos de recolhimento. Havia muito a admirar, mas nosso olhar logo se dirigiu ao imenso e magnífico órgão, cuja beleza externa já atraía os nossos olhares.  

  “O órgão foi inaugurado em 1954, quando das comemorações dos 400 anos de fundação da cidade de São Paulo. Possui setenta registros reais, quatro teclados manuais e pedaleira completa.  É uma das maiores maravilhas da imponente Basílica de Nossa Senhora da Assunção (Basílica do Mosteiro de São Bento). Desde 2012, o conjunto arquitetônico (Basílica Abacial, Colégio e Mosteiro) e os bens móveis (acervo) vem sendo cuidado pelo conservador/restaurador especialista em arte sacra e bacharel em museologia João Ross.”  

       Bons momentos de contemplação e oração pessoal nos ocuparam nessa visita. No fim, o guia Marco chama nossa atenção para uma verdadeira joia incrustada numa coluna situada à direita de quem entra no templo: trata-se da imagem que a todos emociona, tanta é a beleza e a ternura da expressão do incrível ícone russo da Madona de Kasperovo. O quadro tem 27 cm de altura por 22 cm de largura, apresentando o busto da Virgem Maria com o Menino Jesus em seus braços. Tudo está envolto em um magnífico véu composto de seis mil minúsculas pérolas de tamanhos diferentes e formas irregulares, que cobre a cabeça e o corpo do menino. Rubis e turquesas circundam as cabeças de Nossa Senhora e do Menino Jesus.   

        Chegando perto do belíssimo quadro senti que havia tido o privilégio de poder admirar uma obra de arte especial e certamente muito significativa para aqueles que a ofertaram ao Mosteiro. Este conseguiu dar-lhe um lugar logo à direita na entrada da Basílica.   

        O ícone foi doado ao Abade Dom Miguel Kruse, por um oficial russo, no início do Século XX, em sinal de gratidão pelos benefícios concedidos pelo abade aos refugiados após a Revolução Russa de 1917. Cerca de 100 russos, todos de uma mesma família foram acolhidos no mosteiro na época. O ícone está acomodado em um pequeno estojo, podendo abrir-se, formando um pequeno oratório. É algo muito lindo de se ver e nos emocionam tanto a beleza e arte do artefato, quanto a doçura no olhar de Nossa Senhora de Kasperovskaia. 

       Deixamos o Mosteiro de São Bento e andando a pé percorremos o centro antigo rumo ao “Farol Santander”.  No caminho, nosso guia Mario nos vai assinalando prédios importantes: a biblioteca Mario de Andrade, com 3 milhões e trezentos mil exemplares e atualmente fechada. Também passamos pela Câmara Municipal de São Paulo, o Palácio Anchieta.  

As fotos abaixo identificam outros prédios significativos:       

        A igreja de São Gonçalo, onde acontece a missa rezada em japonês a cada domingo, às 8 horas. Com origem no séc. XVIII, a igreja foi tombada em 1971 pelo  Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo  (CONDEPHAAT).  

       O prédio amarelo, construído em 1872, é a padaria Santa Tereza, a padaria mais antiga de São Paulo. Com mais de 150 anos, o local, do tempo de Dom Pedro II, ainda serve pratos típicos da época do império, e atrai turistas do País inteiro.  

Passamos também pela igreja de Nossa Senhora do Carmo. Depois, pelo Primeiro Tribunal do Júri do Estado de São Paulo e ainda pelo Centro Cultural da Caixa Econômica. 
Entramos num dos mais belos espaços culturais de São Paulo, o  Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, inaugurado em 21 de abril de 2001, com espaço de exposições, teatro, cinema, auditório para palestras e debates, oficinas educativas, cafeteria e loja/livraria. É um edifício em estilo eclético, ou seja, há mistura de vários estilos europeus. Na fachada do CCBB, encontram-se arcos romanos, colunas gregas, janelas e portas art déco e art nouveau.

Na entrada, o primeiro encontro com a beleza da arquitetura e decoração do interior.  

        Depois, subindo de elevador, tivemos o prazer de conhecer a exposição da obra do artista Antonio Roseno Lima, um artista pobre e analfabeto que nasceu em 1926, em Alexandria, no Rio Grande do Norte. Hoje está no centro da memória da Universidade estadual de Campinas e suas pinturas entraram no acervo de importantes museus, como a famosa Collection de

L´Árt Brut de Lausanne, Suíça e o Museu Cajeth, em Heidelberg, na Alemanha.

       Veio para São Paulo e nunca mais voltou ao norte e, aqui, desenvolveu sua arte. Como criador aproveitou de material reciclável para entregar ao mundo o seu mundo interior cheio de poesia, generosidade e beleza.  

“A palavra tornou-se um dos elementos mais constantes nas obras de Roseno. Semianalfabeto, ele passou a ser questionado quando suas obras começaram a ganhar projeção. Além de legendas para as próprias imagens criadas por ele, o pintor passou a escrever frases, também no verso dos trabalhos, como forma de colocar-se como artista, a exemplo de “Sou um homem muito inteligente” e “Queria ser um passarinho para conhecer o mundo inteiro”.   

Percorrer a exposição foi como estar assistindo a uma aula sobre imaginação, verdade e transparência que ele em suas obras conseguia transmitir. Abaixo, deixo alguns textos elucidativos que estavam na exposição.   

Fiz fotos de alguns textos expostos. 

       Neste Centro Cultural do BB, são realizadas  oficinas de dança, música, teatro, artes plásticas, fotografia, leitura, dentre outras atividades que visem aproximar as pessoas à cultura. Importante lembrar que os centros culturais desempenham um importante papel social na construção de valores transmitidos a um grupo ou comunidade. 

       Mas, nessa passagem por São Paulo Antigo, com os nossos olhos abertos para ver as maravilhas que o Centro Antigo esconde, uma tragédia humana apareceu no desenrolar da caminhada neste dia frio e chuvoso: uma quantidade muito grande de pessoas dormindo pela rua e pelos cantos dessa floresta de prédios. À medida que caminhávamos, outras pessoas surgiam em momentos e condições diferentes de seu dormir. A pergunta que nos fazíamos era a seguinte: como e quando se poderá resolver esta situação tão desumana?  

Enfim o Farol Santander 

        Às 11horas, chegamos ao Empire State de São Paulo, o Edifício Altino Arantes, que é um dos prédios mais emblemáticos da capital paulista. Foi construído a partir de 1939, no governo do interventor federal Ademar Pereira de Barros, para sediar o Banco do Estado de São Paulo (Banespa), e inaugurado em 1947 também por Ademar de Barros, quando este era governador de São Paulo. Foi durante mais de uma década o mais alto prédio da cidade, até ser superado pelo Mirante do Vale, em 1960. A placa da fundação do banco também chama atenção.

Entrando no hoje Farol Santander, o que nos impacta é o belíssimo lustre de cristal nacional em estilo decô-eclético, com 13 metros de altura, 10 mil peças de cristal e 1,5 tonelada, feito no formato do edifício.  Em 1990, o edifício, recebeu a ordem de tombamento com o objetivo de preservar a memória cultural e a história do Banespa.  

A primeira foto na entrada do “Farol Santander”.  

 

        Subimos logo ao 26° andar, onde está o Mirante, todo cercado com vidros no parapeito. A partir de redes de proteção, é possível visualizar importantes lugares da cidade, como o Vale do Anhangabaú, a Catedral da Sé e a Avenida Paulista, entre outros. O Mirante também possui binóculos. Desde sua abertura, em 2018, o Farol Santander é um verdadeiro tesouro de São Paulo,  um dos pontos turísticos mais procurados da cidade .  

       Do alto do “Farol Santander”, pode-se ver também o edifício denominado “Mirante do Vale”, um arranha-céu que, por 48 anos, foi o maior  edifício  do país. Foi projetado pelo arquiteto Waldomiro Zarzur, e sua construção começou em 1960, sendo inaugurado em 1966. O edifício tem 900 degraus e 1.119 janelas.  

Estava chuviscando, e havia muitos turistas no Mirante querendo fazer a melhor foto. Lá havia também um restaurante. Nele, muitos dos colegas da excursão tomamos um gostoso café, conversamos e fomos visitar as exposições temporárias, que estavam no 19°, 20°, 22º, 23º e 24º andar. O espaço “Memória do Banespa” está no 2º, 3º e 5º andares.   

     Todos os meses, cerca de 5 mil pessoas sobem ao local, mas a pequena estrutura (elevadores, guichês, funcionários) acaba gerando filas. Nós visitamos muitas exposições interessantes nos diversos andares do prédio. Uma foi a “Exposição Sonora”, em que ondas sonoras que aqui se movem podem ser observadas.   

Delma e eu fizemos esta foto enquanto as ondas sonoras se tornaram concretas, o que tornou possível sua visão.  

  As fábulas de La Fontaine também estavam belamente expostas, e outras exposições belíssimas enriqueciam os andares do Farol Santander. 

              

       Após esse mergulho cultural, fomos a outro espaço imperdível, o Mercado Público, um dos principais pontos turísticos de São Paulo. Um ícone cultural e gastronômico que encanta a todos, como encantou a todos nós desta excursão.   

O Mercado Público   

       O edifício foi inaugurado em 25 de janeiro de 1933 (aniversário de São Paulo), com o objetivo de ser um armazém comercial de atacado e varejo, especializado em frutas, verduras, cereais, carnes, temperos e outros produtos alimentícios.   

“Inspirado no Mercado Central de Berlim, na Alemanha, apresenta estilo neoclássico, chamando atenção pelos 55 vitrais de autoria do artista alemão Conrado Sorgenicht Filho, que mostram vários aspectos da produção de alimentos. A iluminação natural é garantida pelas claraboias, que enchem o espaço de cores vivas. Em 2004, foi restaurado e recebeu um mezanino para abrigar restaurantes.”  

“Considerado um patrimônio histórico e cultural de São Paulo, foi tombado pelos Conselhos do CONDEPHAAT (2004) e CONPRESP (2017). A particularidade é que além da beleza, os 32 painéis, subdivididos em 72 vitrais, retratam a pecuária e agricultura paulista em dimensões e profundidades, como verdadeiras obras de arte.  

Lá almoçamos, fizemos fotos e admiramos a beleza de sua arquitetura, a excelência de seus produtos em exposição e a quantidade de pessoas e turistas que lá estavam!   

Saindo do Mercado, viemos caminhando e passamos pela Catedral de Sé.  

       É um dos monumentos mais antigos da cidade de São Paulo que, desde seu começo, em 1591, teve várias versões. Em 1745, quase duzentos anos depois, a velha Sé (como era conhecida), foi elevada à categoria de Catedral e, devido à precariedade da primeira construção, uma segunda “versão” foi erguida. Ao longo dos séculos, a catedral evoluiu, culminando na majestosa estrutura neogótica construída durante um longo período de 40 anos, entre 1913 e 1954, com o projeto de Maximilian Emil Hehl, um engenheiro e arquiteto alemão radicado no Brasil. É considerada o quarto maior templo neogótico de todo o mundo!   

Entramos na belíssima Catedral, que estava muito cheia, pois estava acontecendo uma missa, e lá  havia também  um evento com os coroinhas.  

“A representatividade multicultural da catedral é notável, incorporando elementos indígenas, caboclos e a influência de diversos imigrantes, especialmente os italianos. Essa diversidade cultural se reflete no estilo eclético da arquitetura, tornando-a um ícone que representa a rica tapeçaria cultural da cidade. A grandiosidade da Catedral da Sé vai além de sua arquitetura impressionante. Seu interior abriga um tesouro de obras de arte sacra, vitrais magníficos e mosaicos, importados da Itália, demonstrando a maestria artística dedicada à sua construção.”  

“Os vitrais, com suas narrativas bíblicas e representações da história brasileira, são destaques significativos no interior da catedral. Diferenças de estilo entre os vitrais nacionais e italianos proporcionam uma rica variedade visual, contando histórias desde a primeira missa no Brasil até a exploração do rio Amazonas.”  

“Os altares laterais dedicados a Sant’Ana e São Paulo contam histórias específicas, enquanto a cripta, inaugurada em 1919, serve como local de repouso para figuras históricas importantes, como o índio Tibiriçá, o cacique Guaianás e o Regente Feijó. O órgão de tubos da catedral, construído em Milão, destaca-se como um dos maiores da América do Sul, com sua complexidade sonora. As torres, com seu carrilhão de 61 sinos, complementam a experiência única da catedral. 

  E, assim, voltamos para o hotel depois de um dia riquíssimo para a nossa excursão!  

Dia 11 de agosto – Domingo  

       Num dia de sol radiante, inesperado, mesmo depois de um dia chuvoso e frio, fomos ao “Bairro da Liberdade”. O guia Marco nos informa que esse bairro começou a ser povoado no século XIX como uma zona rural; nos porões das chácaras ficavam as pessoas que tinham sido escravizadas. Era o bairro dos ex-escravizados e lá ficava a “Forca” da cidade.   

       O nome “Liberdade” refere-se ao acontecido durante o enforcamento de Francisco José das Chagas, mais conhecido como Chaguinhas, um soldado que liderou uma revolta em Santos contra o não recebimento dos salários. Ele era um homem negro que integrava o serviço militar, assim como outros alforriados no século XIX. Por este crime ele foi condenado à “Forca” que nesse dia, para ele, não funcionou, pois a corda arrebentou 3 vezes diante do qual a população que assistia ao ato começasse a gritar: “Liberdade, Liberdade”. Morto a pauladas, seu corpo foi levado para a Capela dos Aflitos, erguida em 1779, que pertencia ao Cemitério dos Aflitos, onde eram enterrados negros, indígenas e os enforcados. Chaguinhas ganhou fama de santo popular e, no local em que foi enforcado, as pessoas começaram a acender velas e surgiu a Igreja Santa Cruz das Almas dos Enforcados, em 1853. Já a Capela dos Aflitos passou a receber, desde então, devotos que iam pedir milagres. Ainda hoje tem festa em homenagem ao Chaguinhas.   

       Os japoneses, em 1912, foram procurar lugares baratos para se instalar e encontraram esses lugares no bairro da Liberdade. Outros japoneses recém-chegados a São Paulo ocuparam o bairro no século XX. Esta é a estória do nome “Liberdade”, hoje identificado somente como bairro dos japoneses.  

O processo de gentrificação   

“Esse foi um dos processos de gentrificação da cidade, que expulsou os negros que moravam naquela que foi uma das primeiras periferias paulistanas. Na década de 70, as luminárias japonesas passaram a adornar o bairro, que foi atraindo cada vez mais comércios, turismo e eventos ligados à cultura nipônica. De 2010 para cá, as migrações chinesa e coreana cresceram no bairro.”  “A ideia era tentar entender como a narrativa do grupo de migrantes japoneses se sobressaiu no imaginário popular deixando de lado a presença negra naquele território e de como o poder econômico foi determinante nisso.”  

       Nós visitamos a bonita igreja e depois caminhamos a pé pelo centro do bairro, visitando as muitas barracas dos artesãos neste domingo de sol em que a alegria de todos, os que compravam e os que vendiam, se misturava num burburinho de música e muitos falares.  Conhecemos também uma grande loja com produtos japoneses!   

Na caminhada festiva pelas barracas, encontramos também esse símbolo japonês! Trata-se de um “torii” de cor vermelha, um símbolo dessa cultura milenar. 

É um portão tradicional japonês, mais comumente encontrado na entrada ou dentro de um santuário xintoísta, onde simbolicamente marca a transição do mundano para o sagrado.   

A estátua de Madrinha Eunice, um dos ícones do samba paulistano criada pela artista Lídia Lisboa em homenagem a personalidades  negras da cultura paulistana também está firme em meio a todo esse movimento.   

Foi muito bom conhecer a história e ver a exuberância deste bairro da Liberdade.   

       Às 11h15, todos estávamos no lugar indicado pelo guia e tomamos o ônibus para ir à Avenida Paulista, um dos principais símbolos da modernização de São Paulo. Nos domingos, essa Avenida está fechada para os carros e livre para os pedestres e para as bicicletas com reserva da faixa onde trafegam. Antes de falar sobre o nosso inesquecível passeio pela maravilhosa Avenida Paulista gostaria de apresentar um pouco do que pesquisei de sua história.   

       A Avenida Paulista foi construída no final do século XIX, a partir de um projeto do engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima. A ideia era criar um eixo sofisticado para a burguesia da cidade, que pudesse enfrentar os altos preços dos terrenos e construções.  

Esta é uma foto feita pelo botânico suíço Alfred Usteri (1869 -1948) e que consta de seu livro publicado em 2011: “Flora do entorno da cidade de São Paulo no Brasil”.  

Onde atualmente está a Avenida Paulista existiram formações de grande biodiversidade e belas araucárias de mata virgem.  

“A Avenida Paulista foi inaugurada em 8 de dezembro de 1891, sem nenhuma construção, apenas com terrenos uniformes, calçadas, duas pistas e árvores. Em 1909, foi a primeira via a ser asfaltada na capital de São Paulo, com material importado da Alemanha.”   

Esta imagem é de 1902 ou seja, 10 anos mais tarde. Os casarões residenciais já estão abrilhantando o local. Até meados de 1950, a Avenida continuou com um perfil estritamente residencial, com belos casarões e palacetes onde viviam industriais, políticos e os barões do café.   

       A título de elucidação coloco aqui algumas fotos dos muitos casarões da Paulista que foram destruídos para dar lugar à modernidade.  

       No entanto, a partir de 1960, houve um “boom” imobiliário na Paulista, que levou aos escombros inúmeros casarões e palacetes, em uma época em que tombamento era muito raro. Tudo ficaria ainda pior no início da década de 1980, quando o governo estadual, colocou abaixo inúmeros casarões que ainda resistiam.  

       Nosso ônibus nos deixou na Avenida Paulista, na altura do edifício do SESC, que fomos conhecer.   

       Subimos até a cobertura do prédio do SESC, de onde pudemos admirar a pujança e a beleza da Avenida Paulista, e lá também fizemos algumas fotos. 

Do alto, pode-se visualizar o hospital Santa Catarina, fundado em 1906, que foi preparado para atender o Papa em sua visita ao Brasil.      

       Visitamos também, em um dos andares abaixo, uma bela exposição temporária do artista Maxwell Alexandre (19 de abril até 29 de setembro de 2024). Ficou acessível a todos um folheto onde, não só o diretor do SESC de SP apresenta o artista, mas também o próprio artista expõe seu pensamento sobre sua arte. O folheto está em português e inglês. Aqui também nosso tempo foi escasso.   

       A partir desta rápida vista ao prédio do SESC começamos a percorrer a Avenida neste domingo ensolarado!  Na Paulista, encontram-se prédios muito importantes: “o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Itaú Cultural, com a surpreendente mostra sobre a arte no Brasil colonial; o Centro Cultural Fiesp  e suas exposições itinerantes, peças de teatro e shows gratuitos; a  Casa das Rosas, que, por si só, já é uma obra de arte, e, além disso, oferece belos saraus; o  Cine Belas Artes  e as mostras de cinema alternativo que entram pela madrugada; a megaloja da Livraria Cultura no  Conjunto Nacional, onde os clientes são convidados a folhear livros sentados em confortáveis puffs; e as salas de espetáculos do tradicional Teatro Gazeta.”    

Percorremos a Avenida Paulista juntamente com uma multidão de pedestres e de ciclistas em sua ciclovia. Marco e André (guias) nos conduziram por essa floresta de grandes edifícios. Às vezes, o guia Marco parava para nos dar explicações pertinentes. Ao passar por pontos do metrô, o que me chamava a atenção era sua bonita arquitetura.  

       Passamos por alguns edifícios históricos e,  entre eles, o prédio do Instituto Pasteur, referência na vacinação antirrábica, que foi inaugurado em 14 de novembro de 1888.  A primeira imagem tinha a data de 1903 

       Também o casarão “Casa das Rosas”, erguido, a partir de 1928, pelo escritório de Ramos de Azevedo. Ao contrário dos muitos da Avenida Paulista que foram demolidos, este foi conservado e hoje é um marco histórico.   

Foi um presente de Ramos de Azevedo para a sua filha. Por muito tempo, a Casa das Rosas serviu de residência para os herdeiros do engenheiro e arquiteto da São Paulo moderna. Em 1991, após ter sido reformada pelo governo estadual, foi transformada em centro cultural e, em 2004, reinaugurada como  Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.  

Hoje a Casa das Rosas oferece uma variedade de atividades, incluindo:  

 “Divulgação e promoção de literatura de escritores desconhecidos ou esquecidos; oficinas e cursos de formação para escritores; palestras e cursos que estimulam a erudição; espaço para artistas, poetas, músicos e dramaturgos apresentarem suas experimentações; programação especial para crianças e bebês. A Casa das Rosas também é um local para pesquisas e leituras. A instituição é gerenciada pela Organização Social de Cultura Poiesis e é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. Transformou-se em um museu que se notabiliza pelo trabalho de difusão e promoção da literatura de escritores menos favorecidos.”  

A Escola Rodrigues Alves 

A Escola Estadual Rodrigues Alves  foi projetada pelo arquiteto brasileiro Ramos de Azevedo e inaugurada em 1909. É uma escola pública e leva o nome do quinto presidente do Brasil, Rodrigues Alves, que governou de 1902 a 1906. Atualmente é a única instituição de ensino da rede pública da Avenida Paulista, no número 227, a uma distância aproximada de 300 metros da Estação Brigadeiro, da Linha 2 do Metrô de São Paulo. Além disso, o prédio passou a ser um patrimônio histórico a partir do processo de tombamento realizado pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico). https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_Estadual_Rodrigues_Alves O prédio, de utilização institucional e propriedade do Governo do Estado de São Paulo, abriga a escola que era conhecida antigamente como Grupo Escolar da Avenida Paulista ou Grupo Escolar Rodrigues Alves.   

       Outro casarão que subsiste é o Instituto italiano de Cultura.  

Este casarão  hoje abriga o Instituto Italiano de Cultura; foi construído em 1922.  

“De estilo neoclássico, remetendo ao Petit Trianon do Palácio de Versailles, o imóvel pertencia a Oscar Rodrigues Alves, filho do ex-presidente Rodrigues Alves. Após alguns anos sendo habitado por sua família, foi comprado, em 1958, pelo governo italiano. Do Circolo Italiano di San Paolo ao Consulado Geral da Itália, o local teve diferentes usos até 2006, quando se tornou a sede do atual instituto, que busca promover intercâmbio entre Brasil e Itália.”  

       Da mansão Matarazzo à Torre Matarazzo.  

       Chegamos no edifício “Torre Matarazzo” que foi construído após a destruição da antiga mansão Matarazzo. Na década de 1960, o movimento de verticalização se intensificou na Avenida Paulista sendo destruídas muitas mansões que ocupavam este lugar privilegiado. A destruição das mansões, muitas vezes, foi feita pelos próprios donos que não queriam que sua mansão fosse tombada, pois não havia nenhuma ajuda do governo para conservação desses imóveis.   

       No lugar da mansão Matarazzo, hoje temos a “Torre Matarazzo” que é composta por 13 andares e 03 áticos e, a partir do 7º pavimento, abriga as áreas técnicas e administrativas. Os andares inferiores são ocupados pelo Shopping Cidade de São Paulo. Há um amplo jardim na lateral com a Rua Pamplona, que preserva a arborização existente no quintal da antiga mansão, abrangendo cerca de 2.300m² de área verde.  

Nosso almoço foi aqui no “Shopping Cidade de São Paulo”.   

Visita ao MASP 

       Após o almoço, visitamos o MASP, construído onde antes havia o Belvedere Trianon.  

       O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), é uma instituição privada e sem fins lucrativos, fundada, em 1947, pelo empresário brasileiro Assis Chateaubriand. O Museu de Arte de São Paulo (MASP) é um exemplo de arquitetura brutalista projetado pela arquiteta “Lina Bo Bardi”, utilizando como base vidro e concreto. A esplanada sob o edifício, conhecida como “vão livre”, foi concebida para tornar-se uma praça para uso da população.  

“O estilo arquitetônico Brutalismo (também chamado de  arquitetura brutalista), que surgiu no início do século XX e alcançou seu auge nas décadas de 1950 a 1970, é conhecido por sua estética ousada e impiedosa, caracterizada pelo uso de concreto bruto e aparente.  O nome “Brutalismo” deriva da palavra francesa “brut“, que significa “cru” ou “bruto,” e não se refere à violência, como muitas pessoas podem supor. O concreto é o material central no Brutalismo, e os arquitetos que seguem esse estilo fazem questão de deixar a textura e a superfície do concreto visíveis, muitas vezes sem revestimento ou acabamento adicional. Isso cria uma sensação de honestidade e autenticidade na construção. O Brutalismo frequentemente apresenta formas simples e geométricas, como blocos retangulares, torres, cubos e cantos angulares pronunciados.”  

A visita ao MASP foi a grande oportunidade de entrar em contato com a arte e, como em todas as outras visitas, o tempo foi pouco, mas suficiente para nos encantar!  

 No terceiro andar do MASP [79 a,b,c,d]  

       Neste terceiro andar do MASP, vejo quadros de grandes artistas. No verso do quadro, pregado no vidro estão os dados do pintor. A visita ao Museu é uma verdadeira imersão na arte do Brasil e do mundo, e essa possibilidade provoca muitas emoções em nós. Muitas vezes, só conhecíamos um quadro por imagens e, agora, estamos diante dele, com os traços feitos por seu autor. Este é um bonito momento de muita emoção!  

Valeu muito nossa rápida e leve caminhada pelo Avenida Paulista e esta emocionante visita ao MASP.  

O importante Parque Trianon 

       Após a visita ao MASP, enquanto esperávamos o grupo que, aos poucos, ia-se reunindo, despertou em mim o interesse de aproveitar os últimos minutos para adentrar o “Parque Trianon”, que se encontrava à nossa frente, no outro lado da Avenida. Assim, fui fazer uma rápida visita a esse Parque, mesmo sabendo que só restava pouco tempo para poder visitá-lo, mas eu arrisquei e não me arrependi! Deixo aqui algumas informações, que depois consegui na internet:  

       O nome Trianon tem origem em uma aldeia perto de Paris, que foi demolida por Luís XIV para dar lugar à construção de dois palácios, o Grand Trianon e do Petit Trianon.   

Aqui em São Paulo havia, na Avenida Paulista, o Belvedere Trianon, projetado por Ramos de Azevedo e inaugurado em 1916. O Trianon tinha muito movimento em seu restaurante, salões de festas, onde a alta classe circulava. No final da década de 30, o Trianon tornou-se decadente e, na década de 1950, o Pavilhão norte foi derrubado pela Prefeitura para a construção do Museu de Arte de São Paulo, o MASP.  

       Este parque Trianon é imenso (48,6 mil metros quadrados) e riquíssimo em fauna, flora e arte. Isso percebi logo que lá adentrei. Mantém um resquício remanescente da Mata Atlântica original. O espaço foi projetado pelo paisagista Paul Villon, em 1832, sendo chamado de “Trianon” pela existência do Belvedere Trianon.   

       Achei interessante visitar, mesmo que rapidamente, parte deste Parque que, realmente, me impressionou e teria gostado muito de passar lá algumas horas. Encontrei também na Internet este Inventário da flora 2021. Incrível esta riqueza que o Trianon reserva, tanto na flora quanto na fauna, quanto na própria beleza que ele apresenta com sua arte e também em seu simbolismo!  

“Sua vegetação é composta por bosque heterogêneo, áreas ajardinadas e horta. Destaques da FLORA: abacateiro (Persea americana), alfeneiro (Ligustrum lucidum), aroeira-mansa (Schinus terebinthifolia), bambu-imperial (Bambusa vulgaris), cabeça-branca (Euphorbia leucocephala), cacto-candelabro (Euphorbia ingens), cinamomo (Melia azedarach), eucalipto (Eucalyptus sp.), falsa-seringueira (Ficus elastica), ipê-de-el-salvador (Tabebuia rosea), jambeiro (Syzygium jambos), jatobá (Hymenaea courbaril), jerivá (Syagrus romanzoffiana), magnólia-amarela (Magnolia champaca), paineira (Ceiba speciosa), pau-d’água (Dracaena fragrans), pau-ferro (Libidibia ferrea var. leiostachya), pau-formiga (Triplaris americana), suinã (Erythrina speciosa), tipuana (Tipuana tipu) e unha-de-vaca (Bauhinia variegata). Já foram registradas 73 espécies vasculares, das quais estão ameaçadas de extinção: pau-brasil (Paubrasilia echinata) e pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia).    

“Já em relação à FAUNA, são observadas 34 espécies de aves comumente encontradas em áreas abertas e bosques da cidade. São elas: gavião-carijó, tuim, anu-preto, beija-flor-de-peito-azul, pica-pau-do-campo, bentevizinho-de-penacho-vermelho, pitiguari, tico-tico e sabiá. Corujinha-do-mato e coruja-orelhuda representam as rapinantes noturnas e o título das migratórias fica com tesoura e andorinhão-do-temporal. A última se reproduz no interior de chaminés, onde o pedinchar de seus filhotes, faz com que o leigo as confunda com morcegos. Ocorrem na área 8 espécies de borboletas.”  

“A criação do Parque foi essencial para preservar essa vegetação, além de reunir em seus caminhos inúmeras atrações culturais e obras de arte. A própria Avenida Paulista tem história: foi local de largada de várias corridas de automóvel nos anos 1920 e recebeu, em 1924, a primeira Corrida de São Silvestre.”  

A futura “cidade Matarazzo”- a não destruição do antigo 

       Reunido o grupo em frente ao MASP partimos acompanhados de nosso guia Marco até o local onde estava nosso ônibus que nos levaria ao hotel neste último dia de nossa excursão. Nesse trajeto a pé, ladeamos a futura “Cidade Matarazzo”.  Marco, apontando os edifícios históricos como o antigo hospital Umberto Primo e Maternidade Matarazzo, que foram inaugurados em 1904, nos fala sobre o futuro dessa parte icônica da cidade. Importa conhecer!  

       Esta foto apresenta este imenso conjunto histórico do complexo hospitalar Matarazzo, que não está mais em funcionamento, pois encerrou suas atividades em 1993, mas cujos edifícios  sobrevivem ainda em meio à selva de altos prédios. Ao contrário dos casarões que foram destruídos, esses edifícios serão tombados e preservados através do inovador e grande projeto: “Cidade Matarazzo”.  

       Vale a pena fazer uma pesquisa na Internet sobre esta “Cidade Matarazzo”, certamente algo muito novo e moderno para a cidade de São Paulo, que parte da não destruição do antigo.  

       Com todas essas informações, chegamos ao fim de nossa excursão, sob a liderança de nosso guia paulista, Marco, e do André, guia catarinense do SESC, entidade organizadora desta excursão. Gratidão, pela oportunidade de conhecer, em sua história, parte importante da cidade de São Paulo, num ambiente de muita fraternidade. Lembro o que André nos disse quanto estivermos no refeitório: tentem sentar cada dia com outras pessoas. Achei esta orientação maravilhosa e foi muito válida para integração do grupo.  

       Voltamos para Florianópolis na segunda feira, dia 12 de agosto, numa excelente viagem.  

De minha parte, com o coração agradecido por ter tido a oportunidade de me emocionar várias vezes e de aprender um pouco mais sobre esta parte importante do Brasil. Além disso, pela alegria de ter passado estes dias na companhia de pessoas que amam a Cultura e de ter feito amizades que, penso, algumas vão continuar.  

Anita Moser 

7 Comentários

  • Salvelina da Silva

    Parabéns, querida amiga Anita! Que trabalho genial! Como sempre, consciente e responsável, e de modo fluente, coloquial, agradável e surpreendente, tu nos desvendas lugares, histórias, paisagens e belezas. O que fica claro é que para ti tudo significa e tudo tem valor, e assim, como testemunha sempre atenta aos detalhes, nos levas a descobrir tudo o que brota das tuas lembranças, das tuas anotações e pesquisas. Ao final, da agradável leitura do teu relatório, fica-nos uma completa e abrangente aula de cultura. Bravo, Anita. Obrigada. Beijo.

  • Sérgio Stähelin

    Professora Anita.
    Sua postagem não se trata apenas de uma “Escursão Cultural a São Paulo”. É um “misto” de interdisciplinaridade onde aprendemos sobre Cultura, Geo-política, História, Sociologia, Arquitetura, Arte, Gastronomia… e tantas outras inter-relaçõies que só você soube tão bem contar. Viajamos juntos no tempo e no espaço cultural dessa metrópole. Pela riquesa de detalhes e pesquisa histórica, é de pensar que os dias viajados estiveram muito aquém das informações passadas, tanto que fiz a leitura em vários acessos, como se estivesse acompanhando os dias por vocês vividos nesse grande derrame histórico-cultural.
    Muito obrigado pela oportunidade de dividir espaço nessa viagem.

  • Sérgio Stähelin

    Professora Anita.
    Uma verdadeira aula de História, Cultura, Geo-Política, Sociologia, Arquitetura, Turismo, enfim, uma viagem presente no tempo e na interdisciplinaridade. Só podia vir de vc com tantos detalhes e tão polidos.
    Obrigado pela oportunidade de viajar à distância com você com tanta riquesa.

  • Nilton da Silva

    Valeu, Anita! Vivi durante oito anos, circulando quase que diàriamente pelo centro de São Paulo, para alcançar o escritório de engenharia onde trabalhava, ali na rua Barão de Itapetininga, próximo ao Teatro Municipal. Quase como morador da cidade (que eu não era, pois vinha de Santos todos os dias), nunca achei um tempo para visitar todas essas maravilhas que voce acabou de relatar. Parece incrível, mas quando circulamos quotidianamente pela cidade, deixamos de apreciar suas belezas. Foi necessário, depois de quase quarenta anos, participar com esse grupo, desse Passeio Cultural, que me abriu os olhos para o tanto de beleza que deixara de lado. Foram visitas enriquecedoras e muito mais agora, depois desse seu Relatório de Viagem, que não poupou trabalho em todas as diligências e minúcias para completar as informações sobre o que presenciamos. Parabéns, pelo trabalho certamente agradável, mas exaustivo!

  • Livia Varela

    Amiga Anita, tuas viagens nos deixam através de teus relatórios a riqueza do teu olhar. São aulas elaboradas com imenso afeto e dedicação, de profunda análise da condição humana e seu caminhar pela história. Deixam para reflexão: olhar o passado, o que recebemos dele e o que estamos construindo para almejar um futuro mais inclusivo, justo e fraterno!
    Parabéns!
    Gratas

  • Zuleima

    Parabéns amiga Incrível confesso que não li tudo porque realmente é extenso mas rodando até ao final vejo que é riquíssimo um grande trabalho uma grande pesquisa se vê que com certeza é feito com muito carinho muito esmero e muito conhecimento
    Parabéns amiga Anita Aplausos pra você
    Bjs da Zu 🌺🙌😘😘

  • Maria Salete Ferreira Magalhães

    Anita: teu relatório de viagem à São Paulo, me coloca no tempo de minha infância e adolescência, quando eu, meus irmãos e meus pais passávamos um mês de férias na cidade capital de São Paulo. Teu relato incluindo a história dos ícones de patrimônio arquitetônico, resgata o passado de trabalho dos brasileiros que fizeram parte dessa construção e desenvolvimento econômico, cultural e político; apresenta o presente de memórias, valores do trabalho e progresso de nosso país; nos faz esperançar a possibilidade de um futuro melhor, pois a riqueza de nosso país é infinita…
    Obrigada Anita! Continue nas tuas viagens, e traga esses relatos como presente p nós!

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